Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 após reeleição de Lula e dólar dispara 9%
Segundo o Times Brasil, o índice recuou 18,12% na semana e o dólar à vista fechou a R$ 5,44, com preocupação fiscal e indefinição na equipe econômica no radar.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 3 MIN

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (30) em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos, e fechou a semana com recuo de 18,12%, a pior performance semanal desde março de 2020, segundo o Times Brasil. No mesmo período, o dólar à vista subiu 9,04% e terminou a R$ 5,4443, após alta de 1,05% só na sexta. A reação marca um movimento intenso dos mercados diante do resultado da eleição presidencial.
Lula (PT) foi reeleito no segundo turno, disputado no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o Money Times, a diferença superou 4,3 milhões de votos. O resultado levou a uma reprecificação simultânea de bolsa, câmbio e curva de juros futuros, segundo a mesma publicação.
O desempenho de outubro ajuda a dimensionar o choque. Pelo levantamento do Money Times, o Ibovespa acumulou queda de 9,88% no mês, a maior baixa mensal desde junho de 2022, enquanto o dólar à vista avançou 5,20% e a PTAX subiu 4,65%, o melhor resultado entre os investimentos no período. O X-Trader News destacou que a alta semanal da moeda americana foi a maior desde 2008. No acumulado do ano, porém, o dólar ainda aparece com recuo de 0,81%, conforme o Times Brasil.
O Times Brasil atribui a queda a três fatores combinados: a reeleição de Lula, a preocupação com as contas públicas e a falta de definição sobre a equipe econômica. Para um mercado que busca sinais sobre o rumo fiscal, a ausência de nomes definidos na área econômica tende a pesar na precificação de ativos.
O efeito também atingiu outros mercados. Segundo o X-Trader News, o Nasdaq futuro recuava 3,50% e o ouro estava abaixo de US$ 4 mil no momento da cobertura, o que indica que a aversão a risco não ficou restrita ao Brasil.
O que muda para o investidor
Para quem opera bolsa, câmbio e juros, o cenário altera a leitura de risco. Com o dólar em alta e a curva de juros reprecificada, empresas com dívida em moeda estrangeira ou dependentes de insumos importados tendem a sentir mais o impacto, enquanto exportadoras costumam se beneficiar de uma moeda mais forte. Ações ligadas ao consumo doméstico e setores sensíveis ao custo do dinheiro também podem registrar volatilidade adicional. Os próximos sinais da equipe econômica sobre a política fiscal devem ser um dos pontos mais observados pelo mercado. Este texto é uma análise de cenário e não constitui recomendação de compra ou venda, nem projeção de preços.







