Rubio nega ter facilitado fuga de Flávio Bolsonaro, mas confirma aval de Trump para entrada nos EUA
Secretário de Estado diz que Washington não participou dos arranjos de saída do país, mas reportagem do Clarín aponta ajuda americana.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 2 MIN

Em coletiva em Atlanta, durante a reunião de chanceleres do G20, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou em 31 de outubro que o governo americano não facilitou a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do país. Questionado sobre o tema, foi direto: “Não facilitamos nada”.
Segundo o InfoMoney, Rubio foi além da negativa e disse que os EUA não estiveram envolvidos em nenhum dos arranjos para a saída de Flávio. Ao mesmo tempo, reconheceu que a entrada do político em território americano foi autorizada por decisão de Trump. Ele afirmou que Flávio já tinha o visto garantido antes disso, o que separa, na versão oficial, a concessão de entrada da participação na fuga.
O contraponto vem de uma reportagem do jornal argentino Clarín, publicada em 30 de outubro e assinada por Nicolás Wiñazki. Segundo o veículo, houve ajuda americana na fuga em território argentino e brasileiro, incluindo o aluguel de pelo menos três jatos. De acordo com a mesma apuração, uma van branca de vidros escurecidos chegou ao aeroporto de Puerto Iguazú quase à meia-noite de terça-feira, 27 de outubro.
A reportagem também descreve um jato particular Gulfstream IV, matrícula LV-JQW, que decolou quase imediatamente em direção a Miami. Os dados apurados para esta matéria não identificam quem embarcou na aeronave, e essa lacuna é parte central do debate.
O que está em jogo é a credibilidade da versão oficial americana diante de uma reportagem com detalhes operacionais. A distinção feita por Rubio entre a autorização de entrada e a participação na saída é o ponto de atenção, tanto para a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos quanto para o papel do próprio Flávio Bolsonaro no cenário político.
O que muda para o investidor
Não há, nos fatos apurados, nenhum dado de mercado ligado ao caso, por isso não é possível estimar efeito sobre Ibovespa, Nasdaq, juros ou dólar. O possível impacto é indireto: disputas diplomáticas e dúvidas sobre a relação entre os dois governos podem alterar a percepção de risco sobre o Brasil, o que tende a pesar sobre câmbio e fluxo de capital estrangeiro. Para quem acompanha risco institucional, o ponto a observar é se a explicação oficial americana se sustenta e se o episódio ganha desdobramentos formais.





