Apple não sabe quando haverá mais iPhones dobráveis após esgotamento
Dobrável de US$ 1.999 esgotou logo no lançamento, enquanto a empresa substitui aparelhos com dobra rachada e enfrenta gargalos de chips e memória.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BBC BUSINESS · 3 MIN

A Apple lançou o iPhone Duo, seu modelo dobrável, por US$ 1.999 (£ 1.999 no Reino Unido), e o aparelho esgotou logo na estreia. Segundo a BBC Business, a empresa ainda não sabe quando haverá novas unidades. O novo COO, Sabhi Kahn, afirmou que é “difícil prever” o equilíbrio entre oferta e demanda.
Alguns compradores relatam telas rachadas. De acordo com a BBC Business, a Apple atribui o problema a uma falha que causou rachadura na dobra interna de um “pequeno número” de aparelhos, e a companhia diz que vai substituí-los. O caso chama atenção porque toca a principal novidade do produto, justamente a parte que mais exige engenharia e controle de qualidade.
John Ternus, CEO desde setembro, substituiu Tim Cook e classificou a reação ao Duo como motivo de entusiasmo. O balanço do trimestre encerrado em 26 de setembro, que não incluiu vendas do Duo, mostra a força do iPhone tradicional: alta de 17%, com receita de US$ 57 bilhões. A Apple afirma ter vendido mais iPhones no último ano do que nunca. O Mac avançou 27%, para US$ 10,7 bilhões, recorde para o trimestre, e a receita total no ano chegou a US$ 479 bilhões, com crescimento de 15%. Em contrapartida, o iPad recuou 10% e os wearables, como fones e o Watch, caíram 7%.
Os limites de oferta vão além do dobrável. Ainda segundo a BBC Business, restrições de chips fabricados em processos avançados, produzidos sobretudo pela TSMC, em Taiwan, devem continuar em 2027 e afetar mais o iPad e o Mac. No lado dos custos, Ternus descreveu a alta da memória como “sem precedentes”, e a demanda de data centers para inteligência artificial, com clientes como OpenAI e Anthropic, pressiona preços. Cook já havia comparado o aumento de custos dos data centers a uma enchente de mil anos, no início do ano. Para repassar parte da pressão, a Apple elevou os preços de quase todo o hardware em cerca de 20%.
O cenário mostra uma companhia com demanda forte e margem de manobra limitada. Procura acima da oferta em um produto novo, gargalos em chips e custos de memória em alta obrigam a Apple a escolher entre priorizar volume, preservar margem ou acelerar a produção de um formato que ainda precisa provar sua durabilidade em larga escala.
O que muda para o investidor
O caso mostra como a demanda por inteligência artificial pode disputar capacidade e componentes com produtos de consumo. Se a pressão sobre memória e chips persistir, a margem de fabricantes de hardware tende a depender mais de decisões de preço e de estoque. Por enquanto, o dobrável pesa pouco nos números, já que o balanço analisado não incluiu suas vendas. Nos próximos resultados, vale observar como a Apple separa o efeito de preço do efeito de volume e quanto o problema das telas pode elevar os custos de substituição. Esta leitura não é recomendação de compra ou venda, nem projeção de cotação.



