Inadimplência de pessoas físicas bate novo recorde com 84,2 milhões de inadimplentes
Segundo a Serasa, o número de pessoas físicas inadimplentes chegou a 84,2 milhões em setembro, e o governo responde com o Desenrola 3.0.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE O ANTAGONISTA · 2 MIN

A inadimplência de pessoas físicas no Brasil atingiu 84,2 milhões de pessoas em setembro, o maior número já registrado na série histórica da Serasa. Segundo O Antagonista, o total subiu em relação aos 83,9 milhões de negativados de agosto e acumula alta de 34,17% desde 2020.
Segundo o Mapa da Inadimplência, também da Serasa, as dívidas com o sistema financeiro somam R$ 597,4 bilhões. Bancos e cartões de crédito respondem por 27,16% do total das dívidas, enquanto as financeiras concentram 20,66% dos casos de inadimplência. A parcela concentrada em instituições de crédito é o ponto que mais interessa a quem acompanha o setor financeiro.
Para enfrentar o problema, o governo Lula editou, antes do primeiro turno, a medida provisória do Desenrola Brasil 3.0, terceira fase do programa. A principal novidade é a compra de carteiras de dívidas em leilão, com repasse do desconto integral ao devedor. A MP reserva até R$ 15 bilhões do Ministério da Fazenda para essas compras, abrange até R$ 150 bilhões em dívidas elegíveis e tem expectativa de atingir até 15 milhões de pessoas.
O histórico da primeira versão ajuda a dimensionar o alcance. Um estudo da UFRJ e da FGV sobre o Desenrola original mostra que a inadimplência caiu no início e voltou aos níveis anteriores em 18 meses. O mesmo trabalho aponta que o benefício foi menor entre trabalhadores informais e que algumas instituições ampliaram empréstimos prevendo renegociações.
Pesquisadores do IBRE levantam a hipótese de uma mudança estrutural no endividamento. Eles observam que emprego e renda se recuperaram, mas que juros altos, crédito caro e maior comprometimento da renda seguem mantendo as famílias vulneráveis. Para O Antagonista, que classifica o Desenrola como remédio paliativo, a renegociação alivia o sintoma sem atacar essas causas, leitura que é opinião do veículo e não um dado apurado.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o efeito depende de dois canais. O primeiro é o crédito: renegociações podem reduzir atrasos no curto prazo e mexer na qualidade das carteiras de bancos e financeiras, mas o histórico do Desenrola original sugere que o alívio pode não durar se juros e renda não melhorarem. O segundo é fiscal, já que até R$ 15 bilhões do Ministério da Fazenda destinados à compra de carteiras entram na conta de quem defende responsabilidade com as contas públicas, leitura que o The X-Trader News compartilha. Este texto não recomenda compra ou venda de nenhum ativo e não projeta cotações.






