Boicotes contra empresas ligadas à direita voltam ao debate e colocam anunciantes sob pressão
Segundo a Gazeta do Povo, campanhas de setores progressistas contra marcas e veículos conservadores voltam a ganhar atenção no debate político.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 2 MIN

Campanhas para que consumidores deixem de comprar de certas marcas, e para que anunciantes retirem verbas de veículos conservadores, viraram instrumento de pressão política no Brasil. Segundo a Gazeta do Povo, setores progressistas adotaram essa tática durante o governo Bolsonaro, e o tema voltou ao debate justamente quando a esquerda passou a criticar boicotes contra eleitores de Lula.
Em março de 2020, uma mobilização nas redes pediu que as pessoas evitassem marcas cujos donos apoiavam o ex-presidente. Entre as empresas citadas estavam Havan, de Luciano Hang, Riachuelo, de Flávio Rocha, Madero, Coco Bambu, Smart Fit e Bio Ritmo. A CUT publicou uma reportagem sobre o movimento nas redes.
A pressão também chegou à publicidade. De acordo com a Gazeta do Povo, a Sleeping Giants Brasil (SGB) cobrou anunciantes para que retirassem seus anúncios do jornal. Depois que a Gazeta manteve o colunista Rodrigo Constantino, 13 anunciantes saíram em um curto período. Em seguida, o grupo passou a mirar a Jovem Pan e o X, antigo Twitter.
Associações de rádio e TV criticaram o impacto dessas pressões sobre a liberdade econômica, um ponto que afeta diretamente a forma como o setor de mídia se financia.
Documentos analisados pela Gazeta do Povo indicam que a SGB recebeu cerca de R$ 2,4 milhões em 2022 e 2023 da Ford Foundation e da Open Society Foundations (George Soros). A entidade não aparece como destinatária de recursos públicos, e a informação foi apresentada pelo jornal como parte dos registros obtidos.
Em Davos, em 2023, o então ministro da Fazenda Haddad afirmou que não compraria nem um palito de fósforo de empresa sem compromisso com as pautas políticas e pessoais dele. Haddad também disse que parte dos consumidores brasileiros já deixava de comprar de empresas que apoiaram o governo Bolsonaro.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o ponto central é o risco reputacional e comercial. Varejistas, academias e restaurantes citados em campanhas de consumo podem ver a imagem e as vendas afetadas, enquanto veículos de comunicação dependem de anunciantes para parte relevante da receita, o que os deixa sensíveis a pressões organizadas. Como a própria esquerda, segundo a Gazeta do Povo, hoje critica boicotes que antes promoveu, o tema tende a seguir como fator de atenção para gestores que acompanham consumo e publicidade. Este texto não recomenda compra ou venda de nenhum ativo e não projeta o comportamento de preços.


