Confiança do comércio cai ao menor nível desde 2021 e acende alerta para contratações
Pesquisa da CNC mostra a quarta queda mensal seguida do índice, com recuo nas intenções de contratar e investir e maior pessimismo desde maio de 2021.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 3 MIN

O comércio brasileiro encerrou outubro com o humor mais fraco desde 2021. Segundo levantamento da CNC divulgado na quinta-feira (29), o Icec, índice de confiança da entidade, caiu 2,7% no mês, para 96,7 pontos. Foi a quarta queda mensal seguida e a mais intensa desde julho, de acordo com a Gazeta do Povo.
Com 96,7 pontos, o indicador ficou no menor patamar desde maio de 2021, quando marcava 94,5 pontos. O recuo chega num momento em que o setor precisa reforçar equipes para a Black Friday e o Natal, período mais lucrativo do comércio. Ainda assim, a intenção de contratar caiu 2,8% em outubro, o que acende um alerta sobre o emprego no segmento.
Os investimentos também perderam fôlego. O subíndice de investimentos recuou 2,4%, para 98,9 pontos. Entre os empresários, o investimento nas próprias empresas caiu 2,7% na comparação com setembro e 4,4% na comparação anual, e as intenções de investimento recuaram 1,8% frente a outubro de 2025. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, afirmou que a queda de contratações e investimentos desacelera a economia e cobrou previsibilidade e melhores condições para os negócios.
A percepção sobre o momento atual é ainda mais dura. O índice de condições econômicas atuais caiu 5,5% em outubro, para 68,2 pontos, e acumula seis meses seguidos de queda. Segundo a pesquisa, 78,2% dos empresários perceberam piora da economia, o maior pessimismo desde maio de 2021. A avaliação do próprio setor recuou 6,1% no mês, e a das condições das empresas, 4,5%.
O recorte por segmento mostra onde a pressão é maior. Os bens semiduráveis, como roupas, calçados, tecidos e acessórios, tiveram queda de 5,4% na confiança no mês e de 3,3% em um ano. Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, atribui parte do problema aos importados, que passaram a pressionar os comerciantes nacionais após o fim da chamada taxa das Blusinhas. Ele também apontou o endividamento dos consumidores como obstáculo à recuperação das vendas.
O que está em jogo é a velocidade da recuperação do varejo nos próximos meses. A pesquisa não traz projeções de vendas, mas o recado é claro: sem previsibilidade, o comércio tende a adiar decisões de contratar e investir, e esse efeito pode chegar aos resultados das empresas.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa, juros e dólar, o dado funciona como termômetro da atividade doméstica. Empresas ligadas ao varejo e a bens de consumo são as mais expostas a uma confiança em queda, e os pontos de atenção apontados pela CNC, como a concorrência dos importados e o endividamento das famílias, ajudam a explicar a cautela. Uma leitura de confiança não define sozinha o rumo de um papel ou de uma moeda, mas reforça a necessidade de observar a qualidade da demanda e a previsibilidade do ambiente de negócios antes de tomar decisões. A pesquisa não traz projeções de preços nem indica o que comprar ou vender. O que ela mostra é um setor em cautela, e o desempenho nas datas de fim de ano será o próximo teste.

