Esquecido no organograma, profissional de 27 anos vira aposta da Cisco para a era da IA
Cisco entregou tokens ilimitados e uma missão estratégica a um profissional cinco níveis abaixo do presidente, em meio à queda das vagas de entrada.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Pelo organograma, o profissional estava cinco níveis abaixo do executivo que decidiu confiar a ele uma das missões mais importantes da empresa. Segundo InfoMoney, que cita reportagem da Fortune, Jeetu Patel, presidente e diretor de produtos da Cisco, diz ter entregue essa tarefa a Padmanabhan Krishnamurthy, conhecido como Paddy, que tem 27 anos.
O gesto de Patel foi concreto. Ele deu a Paddy tokens ilimitados para refatorar código, ou seja, para reorganizar e reescrever sistemas de programação com o apoio de ferramentas de inteligência artificial. Tokens são as unidades de texto que esses modelos processam, e é nesse consumo que a tarefa se apoia.
A trajetória de Paddy ajuda a entender a aposta. Ele fundou a EzDubs em 2023, uma startup de tradução em tempo real. Em 2025, a Cisco adquiriu a empresa e ele passou a integrar a companhia.
O caso chama atenção num momento em que a porta de entrada do mercado de trabalho está mais estreita. De acordo com a reportagem, as vagas de entrada estão em queda e as empresas planejam contratar menos recém-formados por causa da IA. Nesse cenário, a história de um jovem com responsabilidade de alto nível funciona como contraponto à tendência geral.
O movimento sugere que a Cisco está disposta a colocar talento e autonomia técnica à frente da hierarquia formal quando o tema é inteligência artificial. Os detalhes, porém, vêm das declarações do próprio Patel, e a reportagem não traz resultados mensurados do projeto.
O que está em jogo é saber se o caso se repete em outras áreas da companhia ou se permanece como exemplo isolado, usado para ilustrar uma estratégia mais ampla.
O que muda para o investidor
O episódio não traz números de receita, margem ou projeção de contratações, o que impede medir impacto direto nos resultados da Cisco. Para quem acompanha a empresa, o ponto de atenção é como ela distribui talentos na transição para a IA. Se a tendência de contratar menos recém-formados se confirmar em outras companhias de tecnologia, a discussão sobre custos e produtividade pode ganhar peso no debate sobre as margens do setor. Até lá, a leitura mais prudente é tratar o caso como sinal de prioridades, que só ganha força quando aparece em lançamentos, investimentos e balanços.







