Eleições intercalares podem remodelar o mercado de títulos municipais nos EUA
Medidas fiscais estaduais, oferta de títulos e a composição do Congresso estão na mira de quem investe em munis nesta terça-feira.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC MARKETS · 3 MIN

Na terça-feira, os eleitores americanos vão às urnas em eleições intercalares, e o resultado pode ir além da política. Segundo CNBC Markets, a votação pode mexer no mercado de obrigações municipais, as chamadas munis, por três caminhos: medidas fiscais estaduais, a oferta de novos títulos e a composição do Congresso.
O principal atrativo desses papéis é tributário. Segundo CNBC Markets, os juros de munis são isentos de imposto federal e, se o investidor morar no estado que emitiu o título, também de imposto estadual. Por isso, qualquer mudança na carga tributária altera o valor dessa isenção para o investidor.
A Califórnia concentra algumas das propostas mais amplas. Há uma iniciativa conhecida como 'billionaire tax', que criaria um tributo único de 5% sobre a riqueza de contribuintes com ao menos US$ 1 bilhão em ativos. Outra medida busca tornar permanente a alta temporária de impostos sobre a renda acima de US$ 371 mil, valor ajustado pela inflação, que hoje expira em 2031.
Na Flórida, os eleitores vão decidir sobre a ampliação da isenção de homestead, a residência principal, para impostos sobre propriedade que não sejam de distritos escolares. A isenção extra de US$ 25 mil, que não vale para impostos escolares, subiria para US$ 150 mil em 2027 e para US$ 250 mil em 2028, e novos residentes precisariam aguardar cinco anos. Segundo Tom Kozlik, da HilltopSecurities, se a medida for aprovada, os governos locais terão de encontrar outra fonte de receita ou elevar alíquotas, o que não significa necessariamente rebaixamentos de crédito. Para quem defende responsabilidade fiscal, a pergunta central é justamente essa: como essa receita será reposta.
Dan Close, chefe de munis da Nuveen, descreve um padrão nos dois campos. Segundo ele, estados democratas buscam imposto de renda progressivo, enquanto estados republicanos cortam o imposto sobre propriedade. Na leitura de Close, aumentos de impostos tornariam a isenção mais valiosa e atrairiam investidores para munis, o que elevaria os preços dos títulos. Já um corte no imposto sobre propriedade pode deteriorar o crédito de alguns municípios, e a avaliação, segundo ele, é caso a caso.
Do lado da oferta, a SIFMA, citada por CNBC Markets, registrou emissões de US$ 473,8 bilhões até setembro, alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025. Em 2025 inteiro, o volume total chegou a US$ 587,3 bilhões, 14,3% acima de 2024.
O que muda para o investidor
Para quem investe em munis, o quadro é de incerteza sobre impostos, sem desfecho definido. Se estados elevarem a tributação sobre a renda, a isenção ganha peso, e, segundo Close, isso pode atrair compradores e sustentar os preços. Se avançarem cortes no imposto sobre propriedade, o ponto de atenção passa a ser a qualidade de crédito de cada município, avaliada caso a caso. Em ambos os cenários, a leitura muda emissão por emissão, e não de forma uniforme para o mercado. Esta matéria não é recomendação de compra ou venda e não projeta preços.







