Juros, real e Ibovespa dependem de quem comandar a economia no novo mandato de Lula
Relatório vê juros longos altos e real mais fraco sem nomes críveis e medidas fiscais, com Ibovespa podendo cair perto de 170 mil pontos.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG LÍNEA · 3 MIN

Antes mesmo de o novo mandato começar, o mercado já olha para os nomes que vão cuidar da economia. Segundo a Bloomberg Línea, o BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, avalia que essa escolha será decisiva para medir até onde a bolsa ainda pode recuar depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No relatório divulgado na segunda-feira (26), o banco afirma que a falta de nomes com credibilidade e de medidas concretas para as contas públicas tende a empurrar os juros longos para cima e mantê-los altos. Na leitura do BTG, esse quadro enfraquece o real e reduz a margem do Banco Central para cortar a Selic, a taxa básica de juros do país.
No cenário mais pessimista traçado pelo banco, o Ibovespa cairia até perto de 170 mil pontos. Nesse nível, e sem contar Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), o índice ficaria um desvio-padrão abaixo da média histórica do indicador preço sobre lucro.
O câmbio entra na conta. Pela estimativa do BTG, o real pode perder entre 10% e 15% de valor frente ao dólar, o que elevaria a perda medida em dólar para cerca de 30%.
Para quem lê uma publicação que defende responsabilidade fiscal e livre mercado, o recado do relatório não é novidade: sem compromisso crível com o orçamento, os juros pesam mais e a bolsa sofre. A leitura do banco, porém, é condicional. O cenário mais duro depende justamente da ausência de nomes críveis e de medidas concretas para as contas públicas.
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, juros e dólar, o ponto de atenção é a cadeia de efeitos descrita pelo BTG: juros longos mais altos, real mais fraco e menos espaço para a Selic cair. Pelo cenário do banco, esse encadeamento é o caminho de maior pressão sobre o Ibovespa e sobre o câmbio. A análise não é recomendação de compra ou venda e não traz previsão de preços. Na prática, o investidor tem a acompanhar os anúncios da nova equipe econômica e as medidas para as contas públicas, justamente as variáveis que o banco aponta como decisivas.
