Após hack de US$ 6,3 bi, custódia vira o centro da disputa na infraestrutura cripto
A Binance já repôs 98% dos ativos afetados, e o episódio reacende o debate sobre quem guarda o dinheiro digital e como as empresas se protegem.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC MARKETS · 2 MIN

Um ataque hacker de US$ 6,3 bilhões colocou a custódia de criptoativos no centro da discussão do setor. Segundo a CNBC Markets, o caso envolveu US$ 6,34 bilhões em ativos afetados e ocorreu na quinta-feira anterior à publicação da reportagem. Na terça-feira, o CEO da Binance, Richard Teng, disse à mesma emissora que 98% desse valor já havia sido reposto.
A reação do mercado veio em frentes diferentes. De acordo com a CNBC Markets, Tether, Circle, Ripple e outras empresas congelaram ou restringiram cerca de US$ 3 bilhões em ativos roubados. A Coinbase bloqueou transferências para carteiras comprometidas e ofereceu ajuda direta à Binance. Enquanto isso, a corretora segue comprando os ativos pendentes, que são menos líquidos.
O episódio tem uma diferença importante em relação ao colapso da FTX, no fim de 2022. Conforme a CNBC Markets, não houve fraude de liderança. Ainda assim, o caso mostra que uma invasão pode atingir ativos de clientes em escala bilionária, e a discussão deixa de ser apenas quem comanda a empresa para passar a ser onde e como o patrimônio é guardado.
Para o analista sênior Owen Lau, da ClearStreet, o porte da empresa pesa na defesa. Companhias maiores têm mais recursos para investir em cibersegurança, enquanto as menores enfrentam mais dificuldade para acompanhar esse nível de proteção. Lau avalia que a consolidação do setor pode crescer, com empresas comprando capacidades de custódia e de infraestrutura.
O mercado de custódia institucional já tem nomes consolidados. A Coinbase opera esse negócio desde 2018, e a BitGo, fundada em 2013, está entre as pioneiras. A Circle entrou em custódia neste ano, depois da aprovação do OCC para atuar como trust bank. Ripple e Kraken lançaram operações semelhantes nos últimos anos, e a Gemini Space Station, classificada como small cap, oferece custódia desde 2019.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera em ativos digitais, o caso põe a custódia no mesmo nível de análise da liquidez e do preço. Vale observar quais empresas têm estrutura própria de segurança, como as maiores podem ampliar participação se a consolidação avançar e de que forma a velocidade da reposição dos fundos afeta a confiança dos clientes. A reportagem não permite prever o comportamento dos preços, e a leitura depende do acompanhamento dos próximos passos da corretora e dos concorrentes.






