Ibovespa tem maior baixa desde junho de 2022 e 26 ações caem mais de 20% em outubro
Segundo InfoMoney, dólar em alta, curva de juros em abertura e piora fiscal pesaram sobre a bolsa, e só 11 das 76 ações do índice subiram.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

O Ibovespa fechou outubro com a maior queda mensal desde junho de 2022. Segundo InfoMoney, o índice recuou 9,88% no período, em um mês marcado pela eleição presidencial, cujo resultado foi a reeleição de Lula (PT) confirmada no domingo anterior ao fechamento desta reportagem.
A mesma fonte aponta três forças por trás do movimento: a disparada do dólar, a abertura da curva de juros e a piora das perspectivas fiscais. Quando câmbio e juros sobem ao mesmo tempo, o financiamento das empresas fica mais caro e a pressão se espalha por setores ligados ao consumo doméstico, o que ajuda a entender a fraqueza generalizada da bolsa.
Os números mostram a extensão do movimento. De acordo com a Exame, 64 das 76 ações do Ibovespa recuaram no mês, 51 caíram mais de 10% e 26 perderam mais de 20%, com metade da lista acumulando baixa superior a 15%. InfoMoney também contou 26 papéis com queda acima de 20%.
As altas foram poucas e concentradas. InfoMoney registrou 11 ações em alta e citou PRIO3, SUZB3, PETR3, PETR4, CXSE3, BBSE3, TIMS3, VIVT3, EMBJ3, BRAV3 e GGBR4 entre os destaques positivos. A Exame contou 12 ações no positivo, com base no fechamento de 30/09 comparado ao da sexta-feira, 30/10, e as duas reportagens não coincidem na contagem.
Segundo InfoMoney, parte da explicação está na migração de investidores para empresas menos dependentes da economia doméstica. Esse deslocamento indica que o capital buscou negócios com receita menos atrelada ao ciclo brasileiro, enquanto companhias expostas ao mercado interno ficaram para trás.
Na leitura editorial deste jornal, o dado fiscal é o mais sensível. A eleição definiu quem governa, mas não responde à pergunta central sobre como as contas públicas serão equilibradas, e é essa dúvida que tende a pesar mais sobre o investidor de longo prazo.
O que muda para o investidor
A concentração das perdas mostra que o risco não se distribuiu igualmente pelo índice. Para quem acompanha e opera a bolsa, o recado é observar câmbio, curva de juros e discurso fiscal como variáveis que afetam o conjunto do mercado, e não apenas os resultados de cada empresa. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem projeções de preços.







