Experiência demais pode travar contratação, relata publicitária de 58 anos
Com 25 anos de carreira e duas pós-graduações, Flavia Souza ouviu em processo seletivo que era qualificada demais para a vaga, segundo a Exame.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE EXAME · 2 MIN

Uma publicitária de 58 anos descobriu que o próprio currículo pode ser o obstáculo. Segundo a Exame, Flavia Souza soma 25 anos de experiência profissional e formação em MBA em Marketing, além de pós-graduação em Relações Públicas e Comunicação Corporativa. Em um processo seletivo, ouviu a frase que resume o problema: "Você é qualificada demais para essa vaga."
O fenômeno aparece no título da reportagem como overqualification, ou excesso de qualificação. Flavia relatou à Exame que, nas seleções pelas quais passou, percebeu que o tempo de carreira e os estudos podem atrapalhar a contratação. Para ela, aquilo que deveria funcionar como diferencial passou a pesar contra.
O caso expõe uma tensão que atinge profissionais com trajetórias longas. Quem acumula décadas de atuação costuma trazer repertório e maturidade, mas a mesma bagagem pode levar recrutadores a questionar a adequação à vaga. Os fatos apurados não trazem os critérios usados pelas empresas nesses processos, e essa lacuna pesa na leitura do episódio.
Para a economia, a questão tem um custo que vai além do indivíduo. Quando a experiência deixa de ser aproveitada, o mercado perde parte da oferta de talentos disponíveis. Em uma visão de livre mercado, a melhor resposta tende a ser a própria concorrência por profissionais, com contratações baseadas em competência e não em estereótipos sobre idade ou tempo de carreira.
O relato também chama atenção para a autopercepção de quem busca emprego depois dos 50 anos. Sentir que a formação virou barreira é uma experiência pessoal, e a reportagem da Exame a apresenta como tal, sem generalizar o resultado para todo o mercado.
O que muda para o investidor
Um caso individual não move indicadores, e os fatos apurados não trazem dados agregados sobre o tema. Ainda assim, a discussão toca em gestão de pessoas, área que pode aparecer em balanços e em comunicados de empresas que dependem de mão de obra qualificada. Para quem acompanha companhias listadas, vale observar se elas passam a tratar de políticas de contratação, retenção e custo de pessoal. Esta análise não traz recomendação de compra ou venda e não prevê movimentos de preços.



