Dólar atinge maior cotação de 2026 com receios fiscais e dúvidas sobre a equipe econômica
Minidólar de dezembro sobe 0,93%, moeda acumula alta de 9,15% na semana e mercado observa a política fiscal do novo governo.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

O dólar voltou a ganhar força no fechamento de 30 de outubro, e o movimento chamou atenção pelo tamanho. Segundo InfoMoney, o minidólar com vencimento em dezembro (WDOZ26) subiu 0,93% e fechou aos 5.470 pontos, num teste para o fôlego da alta que vem se formando no câmbio.
No mercado à vista, a moeda americana avançou 1,09% e foi negociada a R$ 5,4460, a maior cotação de 2026. Na semana, o dólar acumulou valorização de 9,15%, um ritmo que mantém o câmbio no centro das atenções de quem acompanha as contas públicas.
A explicação dada pelo veículo aponta para o campo fiscal. Ainda de acordo com InfoMoney, a alta foi atribuída a receios com a política fiscal e à indefinição sobre a composição da equipe econômica do novo governo Lula. Ou seja, o que está em jogo não é apenas o preço de uma moeda, mas a dúvida sobre como o país vai conduzir suas contas.
No front da economia real, o dado de desemprego trouxe um contraponto sem sobressaltos. A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2%, em linha com o esperado, segundo a mesma fonte. Um número dentro das projeções não foi o que pautou o dia, e o peso da agenda fiscal apareceu como o fator dominante.
No exterior, o comportamento foi misto. O dólar subiu ante algumas moedas emergentes, mas recuou frente ao iene e à libra, informa InfoMoney. Esse desenho mostra que a pressão não foi uniforme e que o movimento tem um componente doméstico relevante.
Para quem defende responsabilidade fiscal e um Estado que gaste menos, o episódio reforça um recado conhecido: a credibilidade das contas pesa tanto quanto os fundamentos da economia na formação do câmbio. Sem definições claras sobre a condução da política econômica, o prêmio cobrado pelo risco tende a aparecer na cotação.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera, o recado é observar o câmbio como termômetro do humor com as contas públicas. Um dólar mais caro encarece importações e pode pressionar a inflação, o que influencia as expectativas para os juros. Também altera o valor em reais de ativos cotados em dólar, incluindo ações de exportadoras e ativos ligados ao exterior, como os que seguem a Nasdaq. Nada disso aponta direção para preços. O ponto central é ver se as definições sobre a equipe econômica e a política fiscal vão reduzir ou ampliar a incerteza que hoje pesa sobre o câmbio.






