Estrangeiros viram de comprador a vendedor na bolsa brasileira após a eleição de outubro
Dados do IIF mostram que, no início de outubro, investidores de fora aplicaram cerca de US$ 4,2 bi na bolsa local e, nas semanas seguintes, desfizeram algo acima de 50% dessas compras.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Investidores estrangeiros colocaram dinheiro na bolsa brasileira no início de outubro e depois fizeram o movimento inverso. Conforme InfoMoney e Money Times, na primeira quinzena do mês o saldo líquido de aquisições de papéis locais feitas por investidores de fora do país chegou a aproximadamente US$ 4,2 bilhões, segundo o IIF. A compra mais forte veio em 5 de outubro, com US$ 2 bilhões em um único dia, o maior fluxo diário desde 2009.
A movimentação ocorreu em meio à disputa eleitoral. Antes das compras, Flávio Bolsonaro, de direita, havia liderado o primeiro turno, de acordo com as mesmas reportagens. O cenário político ganhou peso no comportamento do fluxo, que virou poucos dias depois.
Nas duas semanas seguintes, os estrangeiros venderam US$ 2,4 bilhões líquidos, segundo InfoMoney e Money Times. Já nos quatro pregões que vieram após a vitória de Lula na votação de 25 de outubro, a venda somou US$ 1,4 bilhão.
Texto da Reuters divulgado em 3 de novembro, datado de Nova York, aponta que o desmonte alcançou algo acima de 50% das aquisições feitas no começo de outubro, usando a mesma base do IIF. Em outras palavras, uma fatia grande do dinheiro que entrou no início do mês não permaneceu.
Na cobertura internacional, o Times Brasil destacou um episódio do setor de tecnologia. De acordo com o veículo, a Intel registrou o pior tombo em um único pregão desde os anos 1970, e as ações acumularam recuo de 45% em outubro. O motivo apontado foi o cenário mais fraco projetado para computadores pessoais.
O texto também afirma que a companhia é pressionada a montar uma unidade de foundry, isto é, a produzir chips para outras empresas. Nos últimos cinco anos, os aportes em ativos fixos ultrapassaram US$ 108 bilhões. A concorrente citada é a TSMC. Ainda segundo o Times Brasil, a Intel não tem, por ora, um cliente de grande porte para chips mais avançados e fabrica sobretudo chips para produtos próprios.
O que muda para o investidor
Para quem opera a bolsa brasileira, o mês de outubro mostra que o fluxo estrangeiro pode mudar de sentido em poucos pregões quando o cenário político se altera, e que a reversão de parte das compras reduz a leitura de que a entrada de capital foi uma tendência consolidada. Para quem acompanha a Nasdaq, o caso da Intel ilustra como uma revisão das perspectivas de um mercado, somada à necessidade de investimentos pesados em fabricação, pode pesar sobre uma ação de tecnologia. Esses fatos não indicam preços futuros nem recomendam compra ou venda.


