Lucro da ISA Energia sobe 246% no 3º tri, mas parte do salto vem de efeito contábil
Sem o efeito extraordinário, a companhia diz que o lucro pró-forma cresce 14% e o Ebitda pró-forma sobe 41%.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

A ISA Energia (ISAE4) informou lucro líquido de R$ 1,9 bi no terceiro trimestre de 2026, mais de três vezes o registrado um ano antes. Segundo o Money Times, a alta de 246% tem causa contábil: a contabilização do descruzamento de participações com a Axia Energia (AXIA3). A Exame apresenta o mesmo dado como lucro regulatório de R$ 1,905 bi, ante R$ 550 mi no 3T2025. O InfoMoney cita o papel como ISAE3.
Um ponto importante para quem acompanha dividendos: o ganho contábil não passa pelo caixa da transmissora. Segundo a Exame, a companhia decidiu deixar esse valor fora da conta de distribuição de dividendos. A separação é sensata para o investidor que associa remuneração ao dinheiro que de fato entra na empresa, já que lucro no balanço e caixa disponível não são a mesma coisa.
Quando se tira o efeito extraordinário, o resultado perde o brilho do número principal, mas segue positivo. O lucro pró-forma cresceu 14%, para R$ 625 mi, segundo o Money Times. O Ebitda do trimestre somou R$ 3,19 bi, alta de 259% na comparação anual, e o Ebitda pró-forma subiu 41%, para R$ 1,25 bi. A receita avançou 41% no trimestre, conforme a Exame.
Os executivos atribuem os números recorrentes a quatro fatores, segundo o Money Times: a entrada em operação de linhas e subestações, a consolidação de um grande ativo, o reajuste tarifário e o controle de custos. Executivos ouvidos pela Reuters afirmam que o resultado sem o efeito contábil também avança, informa o InfoMoney. A leitura da companhia, portanto, é de que o crescimento não depende só da contabilidade.
O ponto em jogo é a qualidade do lucro. Em transmissão de energia, a receita depende de contratos, de regras regulatórias e da capacidade de colocar novos ativos em operação. Por isso, os fatores operacionais citados pela companhia pesam mais do que um ganho pontual. Para o leitor que valoriza disciplina fiscal e regras claras, a regra é simples: resultado recorrente merece peso diferente de efeito extraordinário, e a fronteira entre os dois precisa ficar nítida.
O que muda para o investidor
O balanço do terceiro trimestre mostra dois retratos. O primeiro, com o efeito contábil, traz um salto de 246% no lucro que, por ser classificado como extraordinário, não serve de base para comparar os trimestres seguintes. O segundo, sem ele, aponta crescimento de 14% no lucro pró-forma e de 41% no Ebitda pró-forma, atribuído pela companhia à operação e ao controle de custos. O que deve pesar nas próximas leituras é se esse avanço operacional se mantém trimestre a trimestre e se a política de dividendos continua separando o ganho contábil do caixa. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem projeção de cotação.




