Juiz federal rejeita ação de Trump contra certificação no Alasca, e caso do 'Dan Sullivan' isca vira disputa política
Reportagem do New York Times sobre segundo candidato com o nome do senador republicano amplia a pressão sobre a disputa que pode definir o controle do Senado, segundo a Fox Business.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Um juiz federal do Alasca rejeitou a ação do governo de Donald Trump que buscava impedir a certificação da corrida ao Senado no estado. A disputa tem na cédula dois candidatos chamados Dan Sullivan: o senador republicano que tenta a reeleição e um segundo nome, apelidado de "decoy Dan" (Dan isca). O caso foi discutido no programa "Outnumbered", da Fox Business.
Segundo o programa, a presença de dois candidatos com o mesmo nome divide o voto e pode, em última instância, entregar a vitória à democrata Mary Peltola, ex-deputada federal que concorre contra "os dois Dans". Trump classificou o episódio como fraude eleitoral "no mais alto nível" e como uma "armação" democrata.
O que diz a reportagem e o que nega Peltola
O programa citou uma reportagem do New York Times segundo a qual Peltola teria tido conhecimento do esforço para colocar o segundo Dan Sullivan na cédula. Ela nega qualquer participação e diz estar ofendida pelas acusações. Uma das apresentadoras afirmou que a reportagem teria múltiplas fontes e que o jornal teria acesso a mais informações do que as já publicadas.
Segundo os comentaristas, os organizadores teriam procurado cerca de uma dúzia de pessoas com o nome Dan Sullivan pelo estado, na tentativa de convencer uma delas a se candidatar. O homem apontado como figura central, que teria recebido US$ 87 mil por uma empresa que cofundou, usava pseudônimos e procurava candidatos com as mesmas iniciais do senador. Os convidados do programa disseram que esse dinheiro é o rastro que investigadores podem seguir.
O senador Dan Sullivan, em entrevista citada pelo programa, afirmou que a adversária fala em corrupção em Washington enquanto tentaria manipular o sistema no Alasca. Peltola, por sua vez, nega envolvimento.
Questão jurídica e cautela do Departamento de Justiça
Um dos convidados lembrou que a lei federal prevê multa ou prisão de até dez anos para quem conspirar para ferir, oprimir, ameaçar ou intimidar alguém no livre exercício de um direito garantido pela Constituição ou pelas leis. Na avaliação dele, a questão central não é se alguém foi de fato enganado, mas se houve conspiração para enganar. Ele disse ainda que seria relevante ver se fontes da reportagem seriam chamadas a depor caso houvesse um grande júri.
A apresentadora Kayleigh McEnany observou que o Departamento de Justiça tem sido cauteloso e não "atirou antes da hora", ao dizer que quer apurar o caso. Um integrante do órgão, ouvido por ela no dia anterior, afirmou que já havia investigações em andamento e que as acusações do New York Times são chocantes. Os comentaristas também mencionaram um caso na Flórida, anos atrás, em que republicanos agiram de forma semelhante e alguém foi preso, ressalvando que aquele caso era local e não envolvia uma vaga no Senado.
Um artigo de opinião do Wall Street Journal, citado no programa, argumenta que a corrida pode e talvez deva enfrentar um questionamento legal. Segundo o texto, é possível que o resultado seja claro o bastante para dispensar litígio, mas, se o controle do Senado depender do Alasca, a candidatura do "Dan isca" não poderia ser mantida.
O que observar
Na avaliação dos apresentadores, o episódio é um problema político para a democrata, sobretudo entre eleitores indecisos, que não gostam de se sentir enganados. Um deles chamou a situação de "dinamite política" e disse que talvez não haja resposta definitiva antes de terça-feira, mas que as perguntas já pesam sobre a disputa.
A transcrição não traz projeções de mercado. Para o investidor, o ponto a acompanhar é que o resultado no Alasca pode influenciar o equilíbrio de forças no Senado, variável que costuma ser observada em debates sobre política fiscal, impostos e regulação. Até aqui, o que existe são decisões judiciais, uma reportagem e investigações em curso, sem conclusão.





