Fed deve manter juros nesta semana, mas 76% veem alta em dezembro
Pesquisa da CNBC com 30 gestores, estrategistas e economistas aponta pausa agora, aperto depois e inflação vista como problema amplo.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC · 2 MIN

Quem aposta em um aperto imediato do Federal Reserve vai ter de esperar. Segundo a CNBC, 93% dos 30 gestores de fundos, estrategistas e economistas ouvidos em sua mais recente pesquisa esperam que o banco central americano faça uma pausa na reunião desta semana. O consenso, portanto, reconhece o problema da inflação, mas tende a deixar a resposta para depois.
A próxima etapa já aparece no horizonte. Entre os entrevistados, 76% projetam alta de juros na reunião de dezembro, e mais da metade acredita que o Fed elevará a taxa no ano seguinte, em média cerca de duas altas. Ao mesmo tempo, 30% defendem que o banco suba os juros já nesta reunião, uma parcela menor, mas não desprezível. A pesquisa é feita pela CNBC antes de cada encontro do Fed e mede expectativas, não decisões.
O diagnóstico de inflação é amplo. Para 70% dos entrevistados, o problema vai além da alta do preço da energia. Já sobre o remédio, as opiniões se dividem: 40% afirmam que o Fed precisa desacelerar a economia abaixo do seu potencial para vencer a inflação, 23% acham que a desaceleração deve ser apenas parcial e 27% dizem que não há necessidade de frear a atividade.
Richard Bernstein, chefe global de investimentos macro da Janus Henderson Investors, citado pela CNBC, critica a cautela do banco. Para ele, a hesitação em elevar juros é difícil de entender depois de um longo período de generosidade monetária e fiscal, com o PIB nominal crescendo entre 6% e 8% e com indicadores antecedentes de inflação em alta. O argumento resume o incômodo de parte do mercado: a economia segue aquecida enquanto o aperto ainda não começou.
No petróleo, o cenário de preços também entra na conta. A pesquisa projeta que o petróleo cru de referência nos Estados Unidos esteja em US$ 88 daqui a seis meses, acima dos US$ 82 da rodada de setembro, mas abaixo dos US$ 101 do nível atual. Para os analistas, a energia é um componente da inflação, não o seu único motor.
O que muda para o investidor
Se a sequência prevista se confirmar, o canal mais direto é o custo do dinheiro. Juros mais altos encarecem o crédito, elevam a taxa usada para descontar lucros futuros e costumam pesar mais sobre ações de empresas que dependem de crescimento e de financiamento. Por outro lado, a renda fixa tende a ganhar atratividade relativa. A pesquisa mostra expectativas, não datas certas nem níveis de juros, por isso vale acompanhar os dados de inflação, as falas do Fed e a evolução do petróleo antes de tirar conclusões sobre a carteira.


