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GOVERNO & CONTAS PÚBLICAS29 OUT 2026 · 07:00

Vitória de Lula e ida de Flávio aos EUA colocam relação com Washington sob pressão

Eurasia Group vê relação bilateral mais estressada, mas sem retaliação dos EUA, e a negociação comercial segue em curso

POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

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A vitória de Lula na eleição presidencial de domingo (25) e a viagem de Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos logo após a derrota recolocam a relação entre Brasil e EUA no centro do debate político e econômico. Segundo o Money Times, a análise da Eurasia Group é que o relacionamento deve seguir difícil, e o risco mais citado é o de Washington não aceitar bem o resultado da votação.

O silêncio de Donald Trump também chama atenção. De acordo com o Money Times, o presidente americano ficou cerca de 24 horas sem comentar a vitória de Lula e, depois, afirmou que a eleição pareceu fraudada. O governo dos EUA não se manifestou oficialmente sobre o pleito. Julia Thomson, cientista política da Eurasia Group, aponta o risco de Washington não aceitar bem o resultado.

Flávio também virou peça central dessa crise. Segundo o Estadão, ele chegou a se autodeclarar “presidente do Brasil”. Em carta, prometeu liderar a oposição a partir do exterior, e Vinicius Torres Freire, citado pelo Times Brasil, lembra que a força dessa estratégia depende da adesão de aliados no país, como o agronegócio e os evangélicos. Segundo a Exame, Trump concedeu vistos a Flávio, à esposa e às filhas.

Na leitura de Christopher Garman, diretor para as Américas da Eurasia, não há sinal de retaliação dos EUA contra o Brasil. Ele admite que a relação bilateral pode ficar mais tensa, mas acredita que o equilíbrio tende a se manter. Segundo o Estadão, o analista também considera difícil retirar as tarifas sem uma contrapartida brasileira, já que os brasileiros não aceitariam exigências vindas dos EUA.

O lado comercial, porém, tem sinais menos sombrios. Segundo a Exame, a equipe do MDIC que negocia com o USTR avalia que a ida de Flávio aos EUA não deve atrapalhar a negociação. A questão central é se a disputa política e a agenda tarifária vão seguir separadas, algo que ainda não está claro.

O que muda para o investidor

A leitura da Eurasia sugere que o principal canal de impacto para o mercado é a política comercial, e não um confronto aberto. Se a negociação com o USTR seguir separada da disputa eleitoral, como avalia a equipe do MDIC, o risco tende a ficar concentrado em ruídos e declarações. Se o tom de Washington endurecer e a questão tarifária voltar ao centro, setores mais expostos ao mercado americano podem sentir o efeito primeiro. Vale acompanhar sinais oficiais dos EUA, o andamento das tarifas e a reação dos aliados de Flávio no Brasil. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem projeção de preços.

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