Contração fiscal expansionista: para Bráulio Borges, Brasil parte de posição favorável
Economista da 4intelligence e da FGV Ibre defende que ajuste crível derrubaria juros e que o spread de 10 pontos pode cair com sinal fiscal coerente.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE ESTADÃO · 2 MIN

O termo soa contraditório à primeira vista: cortar gastos para aquecer a economia. Segundo o Estadão, Bráulio Borges, da 4intelligence e da FGV Ibre, avalia que o Brasil tem um ponto de partida favorável para aplicar a chamada contração fiscal expansionista.
A lógica é esta: um ajuste fiscal crível estimularia a economia justamente porque derrubaria os juros e melhoraria a confiança. Pela ótica da responsabilidade fiscal, o raciocínio desloca o foco do tamanho do corte para a credibilidade da trajetória das contas.
Para sustentar a tese, o Estadão cita experiências da Dinamarca e da Irlanda nos anos 80 como referência para o debate.
O termômetro escolhido por Borges é o spread entre os juros dos títulos brasileiros de 10 anos e os do Tesouro dos EUA de mesmo prazo. Hoje, segundo a reportagem, essa diferença está em torno de 10 pontos percentuais.
O ponto mais sensível da análise está na sinalização. Ainda de acordo com o Estadão, se o governo indicar uma política fiscal coerente, o spread pode cair substancialmente. O efeito depende, portanto, menos de um anúncio isolado de ajuste e mais da percepção de que as contas serão levadas a sério ao longo do tempo.
Para quem acompanha bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o tema não é abstrato. Juros de longo prazo e câmbio afetam o custo do capital, o apetite por risco e a precificação de ativos em geral, e por isso o debate fiscal entra no radar de quem investe.
O que muda para o investidor
Se a sinalização fiscal se confirmar, o cenário descrito por Borges aponta para uma redução do spread em relação aos títulos americanos, com juros menos pressionados. Esse é o canal que a tese coloca em evidência. A reportagem do Estadão, porém, não traz projeções de preços nem recomendações, e tudo depende de sinalizações do governo que ainda estão por vir. Vale acompanhar a condução das contas, a evolução do spread e a reação dos juros futuros antes de tirar qualquer conclusão.


