IVA próximo de 30% e indefinições preocupam pequenos negócios, diz Thiago Nigro
Empresário e influenciador financeiro vê risco de falta de previsibilidade tributária a partir de 2027, com alíquotas do novo imposto ainda sem definição final.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 3 MIN

Enquanto o Senado ainda não fixou a alíquota final do novo sistema de tributos sobre o consumo, quem mais sente a incerteza é o pequeno empresário. Foi esse o alerta de Thiago Nigro, fundador do Grupo Primo e criador do canal O Primo Rico, durante entrevista na ABF Con 2026, realizada em Comandatuba, na Bahia. Segundo a Gazeta do Povo, que viajou a convite do evento, ele afirmou que a falta de previsibilidade tributária a partir de 2027 preocupa os pequenos negócios.
O pano de fundo é a reforma tributária. De acordo com a Gazeta do Povo, o TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS, que substitui PIS e Cofins em 2027, mas o número ainda depende da palavra final do Senado. O componente estadual e municipal, o IBS, não tem alíquota definitiva, e a projeção citada é de 18,7%. Somadas, as duas chegam a cerca de 30%, valor que ainda não é definitivo. A estimativa anterior do IVA dual era de 27,91%, e a mesma reportagem registra analistas de mercado admitindo a possibilidade de chegar a 34%.
Para Nigro, o problema não está apenas no peso da carga, mas no tempo gasto para cumpri-la. Ele disse que um empresário gasta cerca de 1.500 horas por ano só para calcular impostos, ressalvando “se não me engano”. Mesmo como estimativa, o número mostra um custo de conformidade que recai com mais força sobre quem não tem um departamento fiscal.
O tom da entrevista foi de desabafo. Segundo a Gazeta do Povo, Nigro afirmou que “é desesperador empreender no Brasil”, frase que resume a percepção de muitos donos de negócios menores diante de regras que mudam sem data firme.
O efeito chega também às redes de franquias. Ainda segundo a Gazeta do Povo, a previsibilidade tributária pesa na abertura de unidades, na expansão das redes e na formação de preços, três decisões que dependem de projeção de custos. Sem alíquota fechada, essa projeção trabalha com margem de erro maior.
Pelo olhar liberal, o ponto central é menos o tamanho da carga e mais a regra do jogo. Um imposto alto, mas simples e estável, permite planejamento. Já um tributo cujo número muda durante a tramitação transfere risco para quem produz e contrata. Por isso, a definição da alíquota final é também um debate sobre responsabilidade fiscal.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha a bolsa, o principal fator é a decisão do Senado sobre as alíquotas, já que a diferença entre um cenário de cerca de 30% e outro de 34% altera a conta de empresas que vendem para pequenos negócios, operam com franquias ou dependem de preço ao consumidor. Setores com muitos clientes de pequeno porte ou redes em expansão tendem a sentir a mudança primeiro, enquanto companies com estrutura fiscal mais robusta podem absorver melhor a incerteza. Esta matéria não projeta como os papéis vão reagir. O que os fatos mostram é que a falta de um número fechado dificulta o planejamento de quem decide com horizonte longo.

