Volaris mais que dobra prejuízo nos nove primeiros meses de 2026
Aérea mexicana de baixo custo perdeu US$ 225 milhões até setembro, com custos e combustível em alta, mas, segundo a companhia, teve EBITDA positivo no terceiro trimestre.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE O ANTAGONISTA · 2 MIN

A Volaris, aérea mexicana de baixo custo, registrou prejuízo líquido de US$ 225 milhões entre janeiro e setembro de 2026, o equivalente a cerca de € 201,8 milhões, segundo O Antagonista. O resultado negativo mais que dobra o de igual período de 2025, com alta de 108,3% na comparação anual.
O peso maior veio dos custos. As despesas operacionais subiram 29,8%, para US$ 2,754 bilhões, e o gasto com combustível avançou 50,9%, chegando a US$ 975 milhões. Com isso, o EBITDA acumulado no ano ficou negativo em US$ 86 milhões, ante um resultado positivo de US$ 35 milhões em 2025.
A receita operacional somou US$ 2,668 bilhões nos nove meses, alta de 23,7%. A receita com passageiros foi de US$ 2,572 bilhões, avanço de 25,8%, enquanto as outras receitas recuaram 14,3%, para US$ 96 milhões. Como os custos cresceram mais que as vendas, a margem ficou pressionada.
No terceiro trimestre isolado, o quadro foi menos adverso. A companhia teve prejuízo de US$ 26 milhões, contra lucro de US$ 6 milhões no mesmo período de 2025. A receita trimestral chegou a US$ 1,038 bilhão, alta de 32,4%, e uma publicação citada pelo O Antagonista afirma que foi a primeira vez que o total de um trimestre superou US$ 1 bilhão. O combustível subiu 57% no período. Segundo a própria companhia, o EBITDA do trimestre foi positivo em US$ 34 milhões, e o prejuízo caiu cerca de 80% em relação ao segundo trimestre de 2026.
Para o presidente-executivo, Enrique Beltranena, a demanda forte absorveu a capacidade adicional da empresa. A projeção da Volaris prevê crescimento de cerca de 4% da capacidade no quarto trimestre de 2026 e de aproximadamente 5% no ano.
O ponto central é se a demanda consegue sustentar a expansão da oferta sem que combustível e custos operacionais corroam o resultado. A virada trimestral indica recuperação no curto prazo, mas o acumulado do ano ainda mostra pressão relevante.
O que muda para o investidor
O caso reforça a sensibilidade das companhias aéreas ao preço do combustível e à disciplina de custos, fatores que costumam pesar nas cotações do setor. O EBITDA positivo do terceiro trimestre é um sinal a acompanhar, mas o prejuízo acumulado e o avanço dos custos acima da receita pedem cautela na leitura dos números. Os próximos balanços devem mostrar se a demanda mantém o ritmo diante da expansão de capacidade prevista.

