Endividamento das famílias bate novo recorde mesmo com programas de renegociação do governo
Segundo o Banco Central, a dívida bancária das famílias chegou a 50,1% da renda em 12 meses, e o serviço da dívida já consome 29,0%.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 2 MIN

O endividamento bancário das famílias brasileiras atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central. Segundo o Money Times, o dado foi divulgado na quinta-feira (29) e mostra que o avanço da dívida continuou mesmo depois de o governo Lula lançar dois programas de renegociação com garantias do Tesouro.
Há um segundo indicador que chama atenção de quem acompanha o crédito. O comprometimento da renda com o serviço da dívida chegou a 29,0% em agosto, também o patamar mais alto já registrado pela série. Na prática, uma fatia cada vez maior do que as famílias recebem fica reservada para pagar obrigações financeiras, o que reduz a margem para outras despesas.
O levantamento aponta três fatores principais, conforme o Money Times: juros altos, crescimento rápido do cartão de crédito e a expansão do empréstimo sem garantia. Os três se somam e ajudam a explicar por que o endividamento avança mesmo em um cenário de custo elevado do dinheiro.
A alta acontece apesar das medidas adotadas pelo Executivo. Os dois programas de renegociação, respaldados por garantias do Tesouro, foram desenhados para aliviar quem está com dívidas em atraso ou apertado no orçamento. Que o indicador tenha subido mesmo assim sugere que iniciativas pontuais não bastam para reverter a tendência.
Sob a ótica liberal deste jornal, o quadro reforça a tese de que renegociações tratam os sintomas, enquanto a solução de fundo passa por juros em queda sustentável, algo que depende de responsabilidade fiscal e de um ambiente em que o crédito seja barato sem depender de subsídios.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera em bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o dado é um sinal de que o crédito ao consumidor segue pressionado. Um consumo mais fraco pode afetar empresas ligadas ao varejo, ao cartão e ao crédito pessoal, enquanto a trajetória dos juros continua influenciando a avaliação dos ativos de renda variável e a atratividade da renda fixa. Esta matéria não recomenda compra ou venda de nenhum ativo e não projeta preços; cabe a cada investidor avaliar seu perfil e o cenário antes de decidir.
