Copom deve segurar os 13,75% da Selic e vencimentos longos dominam o foco pós-eleição
Opções da B3 apontam manutenção com 72,5% de probabilidade, enquanto os juros longos carregam um prêmio alto desde que Lula foi reeleito.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Nesta quarta-feira (4/11), a reunião do Copom define a Selic, e o consenso aponta para a manutenção dos 13,75%. Segundo o Itaú, a decisão deve ser unânime, porque o cenário-base se deteriorou. Ao mesmo tempo, o foco do mercado começa a migrar para os juros de prazo mais longo.
Nem todos os analistas enxergam o quadro igual. Conforme o Estadão, há economistas divididos: parte aposta em redução de 0,25 p.p., e parte prefere deixar a Selic em 13,75%. Os contratos de opções sobre a decisão na B3, levantados na sexta-feira (30/10), precificavam 72,5% de chance de manutenção e 26% de chance de que a taxa caia 0,25 ponto, de acordo com o InfoMoney.
O pano de fundo pesa contra um corte. Para o Itaú, há pressões inflacionárias internas e um ambiente externo adverso, além de expectativas de inflação já desancoradas. Segundo o Estadão, a leitura de riscos para os preços ficou mais negativa desde a reunião de setembro, e há quem fale até em alta dos juros. A última reunião do Copom havia ocorrido justamente em setembro.
É nos vencimentos longos que o impacto da eleição se mostra com mais clareza. Pelo InfoMoney, esses juros já vêm sendo cobrados com um prêmio alto desde que Lula foi reeleito, e gestores e economistas enxergam efeito mais forte nesses prazos. Por isso, a decisão de quarta-feira ganha importância menos pela taxa de hoje e mais pelo que sinaliza para os próximos anos.
O tamanho dessa preocupação ficou claro na semana seguinte à reeleição. Pelo InfoMoney, o pregão teve o recuo semanal mais intenso desde março de 2020, com alta do dólar e forte salto nos juros futuros. Na mesma data da decisão, sai também o Caged de setembro, o que acrescenta uma referência ao mercado de trabalho na agenda da semana.
O que está em jogo é menos o número da taxa do que a leitura sobre o horizonte à frente. Com a inflação pressionada e as expectativas já desancoradas, segundo o Itaú, qualquer sinal do Copom sobre os próximos passos deve pesar sobre a curva longa.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa, Nasdaq, juros e dólar, o cenário pede atenção ao prêmio cobrado nos vencimentos longos e à sensibilidade do câmbio a esses movimentos. Uma manutenção da Selic com comunicação cautelosa tende a manter a curva longa como principal termômetro de risco inflacionário, enquanto um corte inesperado poderia reabrir o debate sobre o tamanho desse prêmio. Esta análise não prevê preços nem recomenda compra ou venda de ativos: o que os fatos apurados indicam é que a volatilidade dos juros longos e do dólar segue no centro da leitura do mercado.
Análise X-Trader: o que muda para quem opera
A decisão do Copom sobre os 13,75% da Selic nesta quarta-feira coloca o foco nos juros de prazo mais longo e no comportamento do dólar. Para quem opera, o momento exige cautela diante do prêmio elevado nos vencimentos longos e da volatilidade recente. É fundamental aguardar a confirmação do cenário nos gráficos e manter o rigor no gerenciamento de risco, considerando que a leitura do mercado sobre os próximos anos pesa mais do que a taxa imediata.


