Democratas avançam em noite eleitoral, mas pesquisa mostra rejeição ao socialismo e cobrança por economia
Segundo a Fox Business, painel vê vitória democrata com ressalvas: 54% dos eleitores em Michigan têm visão desfavorável do socialismo, e o custo de vida segue no centro do debate.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Os democratas tiveram uma noite eleitoral favorável, mas a leitura dos analistas da Fox Business foi de que o resultado traz avisos para os dois partidos. Na cobertura, o painel discutiu o peso de candidatos à esquerda do partido, a insatisfação dos eleitores com a economia e o que isso indica para a disputa presidencial em dois anos.
Segundo pesquisa com eleitores apresentada pela emissora em Michigan, a maioria respondeu que o candidato democrata Abdul El-Sayed não era extremo demais. Já sobre o republicano Rogers, os eleitores disseram, de forma enfática, que ele era apoiador demais de Donald Trump. Com 63% dos votos apurados, El-Sayed aparecia com 50,6%, e o painel avaliou que restavam cada vez menos caminhos para a campanha de Rogers reverter o quadro.
Socialismo: o dado que preocupa a esquerda
O levantamento ouviu cerca de cem mil eleitores em todo o país. Nele, 54%, uma maioria, disseram ter visão desfavorável do socialismo. O dado foi destacado porque vários democratas que venceram na noite são próximos da DSA (Socialistas Democráticos da América), quando não apoiados por ela.
Uma das integrantes do painel, Melissa DeRose, afirmou que a bancada ligada à DSA deve crescer tecnicamente para sete membros no Congresso, defensores de pautas como o Medicare para todos. Segundo ela, o líder democrata Hakeem Jeffries deve ter maioria maior do que 20 a 25 parlamentares. A apresentadora Martha MacCallum afirmou que ele será o presidente da Câmara.
Estratégia democrata e a economia
Na avaliação de MacCallum, Jeffries e o senador Chuck Schumer terão de argumentar que o partido só está onde está por ter feito apelo a eleitores em estados como Texas, Flórida, Geórgia e Carolinas, que muitos davam por perdidos. Para ela, será preciso atender à base sem perder de vista o objetivo de retomar a Casa Branca em dois anos.
O ex-parlamentar Harold Ford Jr., democrata, disse que o partido se perdeu ao falar em cortar verbas da polícia e em desmontar fronteiras, e que a lição da noite é responder aos eleitores. Ele rejeitou o Medicare para todos como solução, argumentando que o modelo não funciona em outros lugares, e apontou o custo da saúde como problema central, citando pessoas que recusam ambulância por medo de que o seguro não cubra.
O ex-deputado republicano Trey Gowdy, que deu nome à fala citada no título do vídeo, disse que perder é um professor eficaz e criticou a ideia de cooperar com o presidente enquanto seus filhos são alvo de investigação. Em sua avaliação, a corrupção é o segundo tema mais citado pelos eleitores. Ele afirmou ainda que o secretário de Estado Marco Rubio foi o único vencedor republicano da noite e que foi uma noite ruim para quem defende as posições adotadas desde a última eleição presidencial.
O que observar para o mercado
O analista Mark Penn avaliou que os eleitores estão insatisfeitos com a economia, mesmo quando os indicadores são bons, e que esse é o maior desafio do presidente e do Partido Republicano. Segundo ele, eleitores independentes esperavam economia melhor e preços mais baixos, e talvez tenham sido irrealistas ao não dar tempo suficiente. Penn disse que é preciso transformá-los em capitalistas felizes nos próximos dois anos, citando o investimento em inteligência artificial e a prosperidade possível se o processo for bem administrado.
Para o investidor, o recado é de que a pressão sobre preços e custos de saúde seguirá moldando o debate político nos Estados Unidos. A transcrição não traz números sobre bolsas, juros ou dólar, e o painel não tratou de contas públicas. Segundo os participantes, o cenário das próximas eleições dependerá da capacidade de os partidos responderem a eleitores que, nas palavras do painel, dizem não saber o que querem, mas sabem o que não querem.


