Democratas conquistam Câmara e Senado, e Trump terá de negociar mais; bolsa dos EUA reage com cautela
Segundo o canal Investidor Sardinha, o novo cenário em Washington traz menos incerteza, mas os problemas internos do Brasil seguem pesando mais sobre bolsa, juros e dólar.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INVESTIDOR SARDINHA · 3 MIN
Os democratas conquistaram a maioria no Senado e na Câmara dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato, e o presidente Donald Trump passará a depender de negociação para avançar com seus projetos. Segundo o canal Investidor Sardinha, os números foram de 54 a 44 cadeiras no Senado e de 258 a 177 na Câmara.
O apresentador compara a situação à do presidente Lula no Brasil, que, na leitura dele, terá um Congresso com muito mais cadeiras do outro lado a partir do ano que vem. Ele observa que o bipartidarismo americano reforça esse efeito, já que o eleitor tende a votar de acordo com a orientação do presidente.
Segundo o canal, um presidente perder as duas Casas na mesma eleição de meio de mandato só ocorreu três vezes desde 1945: Truman, em 1946 (S&P 500 com alta de 4,6%), Eisenhower, em 1954 (alta de 30,5%) e Bush, em 2006 (alta de 6,7% nos 12 meses seguintes). Para Trump, o desfecho ainda é desconhecido.
Reação dos mercados
Nas primeiras 12 horas, os contratos futuros do S&P 500 recuaram 1,3% e os do Nasdaq, 2,2%. Pela manhã, o S&P 500 passou a subir 1,1% e o Dow Jones ganhou mais de mil pontos. O Treasury de 10 anos caiu a 4,92%, o índice DXY foi à mínima em um mês, em 101,3, e o ouro avançou 2,9%, a US$ 4.054.
O canal atribui a queda inicial ao temor de regulação pesada sobre inteligência artificial e big techs, defendida pelos democratas e rejeitada por Trump. A recuperação, segundo ele, veio do fato de Trump ter aceitado o resultado e de um Congresso travado reduzir a imprevisibilidade. Na avaliação do apresentador, o Federal Reserve também fica menos exposto a pressões do presidente, que defende juros de 1%.
O histórico favorece a leitura de alívio: de acordo com os dados exibidos no vídeo, a bolsa americana subiu nos 12 meses seguintes a todas as 19 eleições de meio de mandato analisadas, com alta média de 14,8%. O apresentador explica que o mercado valoriza o fim da incerteza, mesmo diante de um cenário ruim, e ressalta que rentabilidade passada não garante resultado futuro.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil, o canal vê o dólar mais fraco como vento a favor, mas avisa que o efeito depende dos juros americanos. O juro do Fed está em 4% (teto da faixa), com inflação de 3,7%. Houve alta em setembro, a primeira desde 2023, e a próxima reunião, em 8 e 9 de dezembro, prevê nova elevação. Juros mais altos nos EUA atraem de volta o capital que buscaria emergentes.
No mercado local, o Ibovespa subia cerca de 1%, e o dólar caiu de R$ 5,49 para R$ 5,46. O apresentador lembra que a bolsa brasileira acumula queda de 21% desde o pico de 9 de outubro e que, no ano, o CDI rendeu 11,6%, contra 4,2% do Ibovespa. Para ele, a bolsa seguirá o calendário brasileiro, e o problema fiscal e político interno pesa mais do que a eleição americana.
Sobre as tarifas, o canal afirma que o tarifaço não acaba, embora a mesa de negociação tenha mudado. Segundo o apresentador, 23,1% das exportações brasileiras aos EUA pagam sobretaxa, e as vendas ao país caíram 9,7% de janeiro a agosto de 2026. Ele avalia que o tema é secundário para o Congresso americano e que Trump pode vetar mudanças.
Na avaliação de Investidor Sardinha, a diferença prática para o investidor é pequena. Big techs como Nvidia e Meta devem ficar sob escrutínio maior, o que pode afetar o Nasdaq, e uma alta de juros em dezembro nos EUA pressionaria a renda fixa brasileira.


