Democratas retomam o Congresso em varrida nas eleições legislativas dos EUA
Partido virou sete cadeiras no Senado e ampliou a maioria na Câmara; inflação e custo de vida dominaram o debate, segundo a Fox Business
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
Os democratas retomaram o controle do Congresso americano nas eleições legislativas de meio de mandato, com vitórias em estados há muito considerados redutos republicanos. Segundo a cobertura da Fox Business, o resultado foi uma derrota ampla para os republicanos no Senado e na Câmara.
No Senado, de acordo com o correspondente Chad Pergram, os democratas viraram sete cadeiras e terão ao menos 54 senadores no caucus no próximo ano. Entre os resultados citados estão a Carolina do Sul, onde Andrew Wu derrubou Lindsey Graham, e o Kansas, que não elegia um democrata para o Senado havia quase um século. No Texas, James Talarico se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado no estado desde 1998. O Alasca ainda não havia sido definido, e Abdul El-Sayed, eleito em Michigan, será o primeiro senador muçulmano da história americana.
Na Câmara, segundo Pergram, os democratas terão 227 cadeiras e provavelmente mais. O partido virou três vagas na Pensilvânia, ao menos uma na Virgínia, duas em Ohio e ao menos duas na Carolina do Norte. Os republicanos redesenharam distritos na Flórida para proteger a maioria, mas os democratas seguraram duas vagas no estado. Pergram comparou a eleição às grandes ondas de 1994 e 2010, dos republicanos, e de 2018, dos democratas.
Inflação e custo de vida no centro da disputa
O convidado Austin Petersen, ex-candidato libertário à Presidência, atribuiu a derrota republicana à economia. Em sua avaliação, a inflação de 3,7%, os preços da gasolina em alta e as hipotecas de 30 anos em torno de 7,25% pesaram: quatro em cada dez eleitores disseram estar em situação pior do que antes. A apresentadora Cheryl Casone resumiu o pleito como uma eleição de "mesa de cozinha", movida pela economia.
Petersen citou ainda pesquisa da Fox segundo a qual eleitores jovens, rurais e hispânicos foram pressionados pelos preços. Ele lembrou que a idade média de quem compra o primeiro imóvel nos EUA é de 40 anos, o que descreveu como um desequilíbrio econômico.
O que muda para o mercado
A apresentação destacou que os mercados reagiam ao resultado e que o "Wall Street Journal" comentou o tema em seu conselho editorial. Segundo Cheryl, os democratas haviam dito que iriam atrás de bilionários e empresas de tecnologia, incluindo data centers, em especial no Texas. A derrota de Greg Abbott no estado foi apontada como uma das maiores surpresas da noite.
Petersen alertou que endurecer o cerco aos data centers seria um erro, já que o crescimento das carteiras nos últimos anos foi impulsionado em grande parte pelo setor financeiro e de tecnologia. Na avaliação dele, atacar o setor e mexer em planos 401(k) e fundos de pensão levaria a um acerto de contas. O comentarista também defendeu que o presidente Donald Trump ouça republicanos contrários a tarifas e a guerras, citando o senador Rand Paul e Mike Lee, e disse que tarifas "aparecem no caixa".
Outro ponto de atenção é a política fiscal: Cheryl apontou como maior preocupação para os próximos dois anos o gasto federal, com a dívida em US$ 41 trilhões, e programas sociais que candidatos eleitos querem reintroduzir. Pergram indicou que o novo Congresso deve ampliar investigações e processos de impeachment, e a deputada democrata Ro Khanna foi citada defendendo intimações. A transcrição foi interrompida antes do fim do debate.


