DeSantis diz que Florida mitigou onda democrata e cobra do Partido Republicano uma agenda de resultados
Em entrevista à Fox, governador atribui desempenho da Florida à confiança dos eleitores e critica a falta de produtividade dos republicanos no Congresso.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou que seu estado não ficou imune à onda democrata nas eleições de meio de mandato, mas conseguiu reduzir o estrago, e cobrou do Partido Republicano uma agenda concreta de resultados. A declaração foi dada ao programa The Ingraham Angle, da Fox News, segundo o canal.
DeSantis contou que seus dados já indicavam o cenário. No início do outono, disse ter orientado candidatos a descontar 10 pontos da margem de 13 pontos que Donald Trump obteve no estado há dois anos. Segundo o governador, a oscilação na Flórida ficou entre 10 e 12 pontos, abaixo dos cerca de 20 pontos que ele citou como referência de comparação em outro lugar.
O que explica o desempenho da Flórida
Para o governador, o resultado vem da confiança que o partido reconstruiu com seus eleitores ao longo dos anos. Ele também citou uma iniciativa sobre imposto predial (property tax) levada à cédula, que, segundo ele, foi aprovada de forma esmagadora e ajudou a levar eleitores às urnas.
DeSantis disse que os republicanos venceram todas as disputas estaduais, incluindo Senado dos EUA, governo e os cargos do gabinete. No Senado estadual, segundo ele, o partido perdeu uma cadeira, mas manteve uma forte maioria.
Sobre o novo mapa distrital, o governador disse que a decisão judicial citada na entrevista considerou inconstitucional um dos distritos do estado. Segundo ele, os republicanos tinham 20 cadeiras no desenho anterior e elegeram outras 20, sem ganho. Ele afirmou que, com o mapa antigo, o partido teria conquistado apenas 18, ou seja, duas a menos.
Texas, Senado e filibuster
DeSantis contrastou a Flórida com o Texas, onde, segundo ele, os republicanos foram varridos em disputas que vão do governo à Suprema Corte estadual e à Câmara. Na avaliação do governador, isso prejudica o partido em nível nacional. Ele alertou que, se os republicanos não vencerem em lugares como Texas, Kansas ou Iowa, o partido deixa de ser viável no país.
A apresentadora Laura Ingraham levantou o risco de uma fila de indicações judiciais travadas no Senado. DeSantis recomendou que os republicanos montem camas na antessala do plenário e trabalhem sem pausa até 3 de janeiro, porque, segundo ele, depois dessa data não será possível confirmar juízes conservadores pelo restante do mandato de Trump. Ele estimou que o partido terá ao menos 54 senadores, talvez 56, e que não conseguirá seis votos democratas para um indicado conservador.
Sobre o filibuster, o governador disse não ter visto sinal de que os atuais senadores republicanos queiram promover mudanças conservadoras de peso. Citou como exemplos imigração, o fim dos vistos H-1B, a codificação das ordens executivas de Trump na área migratória e a retirada de jurisdição dos tribunais federais sobre casos de deportação. Para ele, o partido nem sequer tentou.
Recado ao partido e ao investidor
DeSantis classificou o pleito como uma reprovação do presidente e do Congresso por democratas, independentes e parte dos republicanos. Segundo ele, muitos eleitores do próprio campo ficaram em casa por frustração com a falta de produtividade do partido na Câmara e no Senado, e a responsabilidade é dos dois lados da avenida Pensilvânia.
Ingraham disse que o partido precisa de um histórico para apresentar. Ela citou a megalei tributária com corte de impostos como ponto positivo, mas lembrou que o pacote também elevou o déficit e os gastos, o que, na avaliação da apresentadora, não basta.
A transcrição não trata diretamente de bolsa, juros ou câmbio. Para quem acompanha o mercado, o ponto de atenção é a capacidade do governo e do Congresso de entregar a agenda de redução de impostos e de controle de gastos num Legislativo menos favorável aos republicanos a partir de 2027.


