Derrota nas eleições de meio de mandato abre disputa sobre orçamento militar e estratégia dos EUA no Irã
Para o analista Dan Hoffman, da Fox News, um governo dividido pode atrapalhar a pressão americana sobre Teerã e complicar o pedido de US$ 1,5 trilhão do Departamento de Guerra.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O resultado desfavorável ao presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato já mexe com a guerra contra o Irã e com o debate orçamentário em Washington. Em entrevista ao programa Fox & Friends First, da Fox News, o analista Dan Hoffman avaliou que o período à frente será "tumultuoso" e que a divisão política pode favorecer o adversário.
Segundo o programa, autoridades iranianas tentam usar o resultado a seu favor. O Parlamento do Irã teria escrito que, preocupados com o custo de vida, os americanos disseram não à guerra, e que o país endossa essa mensagem.
O editorial do Wall Street Journal, citado pelos apresentadores, questiona a abordagem do vice-presidente JD Vance para o Irã depois da eleição. Para o jornal, a ênfase dele em sair da guerra se aproxima de uma rendição e pode ter sido pensada para limitá-lo. O editorial pergunta como Vance poderia seguir como principal negociador americano com os iranianos.
Estratégia de saída e o Estreito de Ormuz
Hoffman reconheceu que há debate no Congresso e no governo sobre a estratégia de saída e sobre o cumprimento dos objetivos. Na avaliação dele, as forças americanas estão mobilizadas para garantir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O Irã tentou, sem sucesso, interromper esse fluxo, que teria voltado aos níveis anteriores à guerra.
Para o analista, uma retirada americana daria ao Irã grande domínio sobre a própria "esfera de influência". Ele disse que os objetivos continuam sendo negar ao Irã um programa nuclear e barrar o apoio a grupos terroristas aliados. Hoffman também afirmou esperar que o Congresso ameace o governo com o poder do orçamento.
Questionado se o resultado empurraria Trump a um acordo, Hoffman disse não acreditar que Teerã queira um. Na visão dele, o Irã pretende esperar os americanos desistirem e acredita resistir à pressão econômica, enquanto causa danos a aliados do Golfo como a Arábia Saudita. O analista citou ataques a infraestrutura crítica de energia e ao aeroporto de Riad, e afirmou que o Irã poderia levar vantagem se os EUA recuassem. Lembrou ainda que o presidente tem mais margem em política externa e que precisará negociar com democratas influentes, inclusive no comitê de inteligência.
Orçamento de US$ 1,5 trilhão em risco
A apresentadora Cheryl observou que a Câmara controla o orçamento e que o Departamento de Guerra pede US$ 1,5 trilhão, valor que provavelmente não será aprovado após as eleições. Hoffman disse acompanhar o tema e previu intensa negociação nos próximos dias e semanas. Segundo ele, alguns democratas aceitariam liberar recursos, mas exigiriam contrapartidas.
O analista afirmou que os democratas podem tentar remover o secretário Pete Hegseth como condição prévia para aprovar qualquer pedido orçamentário do presidente, algo que Trump pode não querer fazer. Para Hoffman, o Irã sabe que um governo dividido pode prejudicar o esforço de apresentar uma força unificada, o que representa um desafio para a Casa Branca.
O programa também mencionou a chegada ao Capitólio de mais candidatos apoiados pelo DSA (Socialistas Democráticos da América), o que levanta dúvidas sobre o efeito dessa influência na política americana para Israel. Para o investidor, o embate sobre o gasto militar e a continuidade do conflito pesa sobre as contas públicas dos EUA e sobre o preço do petróleo, variáveis que costumam repercutir em juros, dólar e bolsas. As avaliações aqui descritas são do analista e do programa.


