Após virada de Lula, governo diz que ajuste fiscal não está em discussão
Entorno do presidente traça limites para cortes de gastos enquanto a Moody's prevê Selic alta por mais tempo sem reformas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE MONEY TIMES · 3 MIN

A virada de Lula na disputa presidencial, que saiu do segundo lugar no primeiro turno para a reeleição, colocou uma pergunta direta para o mercado: o ajuste das contas públicas vai sair do papel? A resposta que aparece dentro do governo ainda é cautelosa. Segundo o Money Times, integrantes do Executivo e do PT já traçam limites para qualquer medida de contenção de gastos, poucos dias depois da eleição.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), afirmou que o ajuste fiscal não foi discutido nem está sendo discutido. A declaração veio dois dias após a virada, de acordo com a mesma reportagem. Já o ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, escreveu nas redes sociais, na quinta-feira, que o "tesouraço" perdeu a eleição. A expressão costuma designar o discurso em favor de cortes de despesas.
Boulos defende que o ajuste, se houver, passe apenas pelo corte de emendas parlamentares e de benefícios tributários. Na prática, essa delimitação deixa de fora qualquer redução de outras despesas, o que interessa a quem enxerga a responsabilidade fiscal como condição para o crescimento, já que define quanto do orçamento entraria na conta.
O pano de fundo é uma dívida pública que avança rápido. Segundo o Money Times, o governo tem dificuldade de conter essa trajetória sem enfrentar resistência na própria base, o que transforma a discussão fiscal em disputa política dentro da coalizão.
Em análise citada pela Exame, a Moody's prevê a continuidade da política econômica atual no quarto mandato de Lula, com mudanças graduais nas contas públicas. Sem ajuste fiscal, a agência afirma que a Selic deve permanecer alta por mais tempo. Ela também associa a ausência de reformas a uma dívida pública maior, pressão sobre os investimentos e obstáculos ao crescimento.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha juros, câmbio e bolsa, o cenário descrito pela Moody's sugere juros altos por mais tempo, o que pesa sobre o custo do crédito e sobre a avaliação de ativos mais sensíveis à taxa de juros. A diferença entre discurso e proposta concreta será o principal termômetro: quais despesas entram na mesa, com que prazo e com que apoio no Congresso. Até lá, vale acompanhar sinais objetivos, como a definição de cortes e a evolução da dívida, sem decidir apenas com base em declarações de integrantes do governo.







