Embaixador britânico diz que Putin poderia encerrar a guerra na Ucrânia amanhã, em meio a ataques dos EUA ao Irã
Em entrevista à Fox, Sir Christian Turner defende pressão sobre Moscou e Teerã, enquanto Trump anuncia o fim da ajuda anual de US$ 4 bilhões a Israel.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Sir Christian Turner, afirmou à Fox que o presidente russo, Vladimir Putin, poderia pôr fim à guerra na Ucrânia amanhã, se quisesse. A declaração foi dada em entrevista à apresentadora Martha MacCallum, no programa The Story, no mesmo dia em que Washington anunciou ataques contra o Irã e o corte da ajuda militar a Israel.
Segundo um alto funcionário ouvido pela Fox, os EUA lançaram o que chamam de ataques defensivos contra o Irã, depois de Teerã disparar contra uma aeronave militar americana. Os alvos ficam na ilha de Qeshm, onde há uma base de mísseis próxima ao Estreito de Ormuz. Autoridades americanas dizem tratar-se de autodefesa, e não de escalada.
Fim da ajuda a Israel
Também nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump disse que os EUA vão encerrar, ao fim deste ano, os US$ 4 bilhões anuais em ajuda a Israel. Segundo ele, o acordo foi fechado meses atrás com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Trump justificou a decisão dizendo que Israel não precisa dos recursos e que o tema é um 'mau argumento' de campanha, alvo de críticas de políticos como Abdul El-Sayed.
Na avaliação do material exibido pela Fox, Netanyahu havia dito em maio que queria reduzir a zero o componente financeiro da cooperação militar e migrar da ajuda para a parceria, com projetos conjuntos em mísseis e defesa.
Turner afirmou que o Reino Unido não concede ajuda a Israel, mas mantém uma aliança de segurança e defesa de longa data com o país. Disse que Londres já teve divergências com o governo de Netanyahu e com as políticas na Cisjordânia, mas que a cooperação continuará.
Irã e Ucrânia
Sobre o Irã, o embaixador defendeu uma solução diplomática e afirmou que o país não pode ter arma nuclear. Classificou como 'maximalistas' as exigências iranianas, que, segundo a apresentadora, incluem o descongelamento de ativos e o controle do estreito. Turner disse que o Reino Unido sancionou cerca de 550 indivíduos e entidades iranianas nos últimos anos e considera acertada a campanha de pressão econômica liderada pelo secretário do Tesouro americano, Scott Bessent.
Sobre a Ucrânia, Turner apoiou as negociações conduzidas pelo enviado Steve Witkoff, que, segundo Martha, devem ocorrer em 10 e 11 de novembro no Oriente Médio. O embaixador perguntou quem é o agressor no conflito e citou a cifra de cerca de 50 mil baixas russas só em outubro. Afirmou ainda que Putin lançou mais de 120 mísseis balísticos contra alvos civis e cidades ucranianas nas últimas semanas, e que a Rússia precisa ser mantida sob pressão para sentar à mesa.
O que isso significa para as contas públicas
A entrevista também tocou no tema fiscal. Turner disse que o Reino Unido traçou uma trajetória de aumento dos gastos com defesa até 3,5% do PIB em 2035, o que representaria cerca de US$ 400 bilhões nos próximos quatro anos, segundo ele. O desafio para os políticos, afirmou, é equilibrar esse gasto com saúde, escolas e bem-estar social.
Para o mercado, o episódio reúne dois vetores de atenção: a tensão em torno do Estreito de Ormuz, região sensível para o comércio global, e a pressão crescente sobre orçamentos de países ocidentais que precisam elevar despesas militares. A decisão dos EUA de zerar a ajuda a Israel, por sua vez, indica uma tentativa de rever gastos externos em favor de parcerias.


