Envelhecimento deve mudar o consumo das famílias brasileiras até 2060
Projeção da FecomercioSP indica que, até 2060, as despesas com convênios médicos e atendimentos subam cerca de 190%, e o consumo total fique 108% maior.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 3 MIN

O envelhecimento da população brasileira deve mudar a forma como as famílias gastam o próprio dinheiro nas próximas décadas. A conclusão é de um estudo da FecomercioSP publicado no fim de outubro, segundo reportagem do Times Brasil, que projeta o comportamento do consumo até 2060.
Os números mais chamativos estão na saúde. Até 2060, o gasto das famílias com convênios médicos e atendimentos pode aumentar em torno de 190%. As despesas com habitação devem subir perto de 130%, e as com educação, cerca de 44%. No total, o consumo das famílias pode mais que dobrar, com alta de aproximadamente 108% no período.
A conta parte de um pressuposto central: cada faixa etária mantém os hábitos de consumo atuais, e o que muda é o peso de cada grupo na população. Os padrões de despesa usados no estudo separam os domicílios pela idade de quem os chefia e vêm da POF 2017-2018, levantamento do IBGE. Esses valores são então projetados sobre a quantidade de famílias estimada para 2060.
Na prática, o exercício aponta uma direção mais do que um valor exato. Como o padrão de cada faixa etária é mantido, a variação do consumo total depende da mudança na composição das famílias por idade. O que está em jogo é quanto do orçamento familiar será destinado a saúde, moradia e educação.
Há uma limitação que o leitor deve ter em mente. A base de dados é a POF de 2017-2018, e o modelo não trata de mudanças nos hábitos de consumo. Isso faz do trabalho um cenário, e não uma previsão fechada.
Para quem acompanha as contas públicas, a leitura que se impõe é que a demanda por saúde e serviços tende a crescer com o envelhecimento. Esse movimento torna o tema relevante para qualquer debate sobre o tamanho e a eficiência do Estado.
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, a mensagem é de horizonte longo. Se a projeção se confirmar, setores ligados a saúde, moradia e educação podem ganhar peso na demanda das famílias, o que interessa a empresas de planos e serviços de saúde, incorporadoras e instituições de ensino. O efeito, porém, se espalha por décadas e dificilmente aparece em um único balanço trimestral. Como o estudo supõe hábitos constantes, mudanças de preço, de renda ou de comportamento podem alterar o desenho dessa demanda. O estudo não permite estimar cotações nem o desempenho de ações, e a leitura adequada é tratá-lo como uma tendência para acompanhar.


