Gleisi ataca o mercado e diz que debater proposta de juros não equivale a adotá-la
Deputada do PT acusa o mercado de pânico após suposto encontro de Lula com André Lara Resende e afirma que conversar não é adotar a ideia.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 2 MIN

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-presidente do PT, atacou o mercado financeiro em publicação no X na segunda-feira (2/11). Segundo a Gazeta do Povo, ela afirmou que o mercado teria traço autoritário e torceria pela eleição de Flávio Bolsonaro, e disse que o mercado entrou em pânico com o suposto encontro de Lula com André Lara Resende.
O pano de fundo é um artigo que Gleisi defendeu no domingo (1º/11). De autoria de André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, o texto propõe tabelar juros. Intitulado 'Eu acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos', foi publicado em setembro de 2026 e sugere a redução gradual da Selic de 13,75% para cerca de 7,5% ao ano, conduzida por um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que ainda seria criado.
O Globo afirmou que Lula teria um encontro com Lara Resende nesta semana. Dario Durigan, da Fazenda, disse na segunda-feira que não há reunião programada. Ao G1, ele negou que o governo avalie tabelar a Selic ou queimar reservas cambiais. Edinho Silva, presidente nacional do PT, afirmou que só Durigan pode falar de política econômica e disse à Folha que especulações não colaboram com o país.
Dentro do campo petista, as posições não são uniformes. José Sérgio Gabrielli, coordenador do plano de governo de Lula, elogiou a proposta e publicou um documento de 11 páginas com alternativas à austeridade. Gleisi, por sua vez, sustentou que conversar sobre uma proposta não equivale a adotá-la e que é normal Lula dialogar com quem pensa diferente da Faria Lima sem assumir as ideias dessas pessoas.
Os críticos citados pela Gazeta do Povo apontam que a crise fiscal é o que mantém os juros altos e que a proposta ameaçaria a autonomia do Banco Central. Há também comparações com as políticas de Dilma antes da recessão de 2015. O ponto central é saber se o debate sobre juros tabelados sai da retórica e ganha lastro em decisões do governo, algo que a Fazenda nega.
Ao afirmar que conversar não é adotar, Gleisi recuou, na leitura do título da Gazeta do Povo, da defesa feita no fim de semana. A mesma reportagem informa que o mandato de Gleisi termina em janeiro de 2027.
O que muda para o investidor
Não há medida oficial em curso, e o governo negou a avaliação do tabelamento, o que tende a limitar o efeito imediato. Ainda assim, para quem opera juros, dólar e bolsa, o episódio pesa como sinal de risco. Debates sobre a autonomia do Banco Central costumam elevar a incerteza sobre a trajetória da Selic e das contas públicas, e essa incerteza pode aparecer em prêmios de risco. Esta análise não recomenda compra ou venda de ativos e não projeta cotações.






