Regras de carbono e nova alíquota da CBS pressionam o planejamento das empresas em 2027
Segundo a EY Brasil, o mercado regulado de carbono vira fator de competitividade, enquanto o TCU aprovou alíquota de 11,3% para a CBS.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE TIMES BRASIL · 3 MIN

Empresas brasileiras começam a tratar o carbono como item de competitividade, e não apenas como pauta ambiental. Segundo o Times Brasil, Érica Perin comanda a área de tributação direta na EY Brasil, onde é sócia, e avalia que o mercado regulado de carbono que se forma no país deve afetar custos, financiamento, tributação e comércio exterior.
Na avaliação de Perin, carbono e emissões serão precificados. Para isso, as empresas precisarão registrar suas emissões em inventário e contar com governança e controles que permitam quantificar quanto o carbono pesa no resultado. A discussão deixa de ser apenas de sustentabilidade e passa a ocupar a rotina de gestão.
A implantação será gradual. A regulamentação publicada em outubro fixou etapas de entrada por setor, o que dá prazo às empresas, mas também exige planejamento de cada fase desde já.
No campo dos tributos, a corte de contas federal deu aval na quarta-feira (28) ao índice de 11,3% para a CBS, imposto que vai substituir os tributos federais incidentes sobre o consumo, conforme a Revista Oeste. O percentual, porém, ainda depende de um ato do Senado, que deve ser concluído até 15 de dezembro. O setor produtivo esperava um percentual próximo de 9%.
Em 2027 a reforma passa para a fase seguinte, o que obriga as companhias a concluir o orçamento do ano que vem e a adequar os programas que emitem notas fiscais. Segundo a mesma publicação, uma fatia dos empresários quer que a implantação seja postergada.
O resultado é uma agenda densa, em que metas de carbono, regras de tributação do consumo e prazos orçamentários chegam quase ao mesmo tempo. Para as companhias, o desafio é transformar essas exigências em custos previsíveis.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha bolsa e juros, a combinação dessas regras pode alterar a leitura de margens e de financiamento, sobretudo em empresas mais expostas a emissões ou a tributos sobre consumo. Os pontos a observar nos próximos meses são a resolução do Senado sobre a alíquota da CBS, a distância entre os 11,3% aprovados pelo TCU e os cerca de 9% esperados pelo setor, e a possibilidade de adiamento da reforma. O peso dessas mudanças tende a variar conforme a atividade de cada companhia, e não há base nas informações apuradas para estimar seu efeito sobre preços.

