JPMorgan revisa alvos do setor de transportes e prefere Motiva e Rumo após turbulência eleitoral
Banco revisa recomendações de companhias brasileiras, eleva custo de capital em 2 a 2,5 pontos percentuais e corta preços-alvo em média 36%.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 2 MIN

O JPMorgan revisou as recomendações sobre empresas brasileiras do setor de transportes e recalibrou suas projeções para dezembro de 2027. Segundo o InfoMoney, a mudança de rota foi motivada pela forte turbulência nos mercados após o resultado das eleições presidenciais.
Na prática, o banco elevou o custo de capital próprio das companhias cobertas em 2 a 2,5 pontos percentuais. Com isso, os preços-alvo para dezembro de 2027 foram reduzidos, em média, 36%. O custo de capital próprio é a remuneração mínima que o acionista exige para manter seu dinheiro na empresa, e uma alta nesse indicador tende a diminuir o valor estimado dos papéis nos modelos de avaliação.
Entre as ações preferidas, o banco citou Motiva (MOTV3) e Rumo (RAIL3). A Vamos (VAMO3), por outro lado, teve a recomendação rebaixada de compra para neutra. A diferença de tratamento entre os papéis mostra que a revisão não foi uniforme dentro do setor.
O pano de fundo é um tema recorrente em anos eleitorais: a percepção sobre a condução das contas públicas costuma pesar no prêmio de risco exigido pelos investidores. Para empresas de infraestrutura e logística, que dependem de investimentos de longo prazo, esse ponto ganha peso adicional nas projeções.
O movimento do JPMorgan, portanto, não se resume a um ajuste pontual de preços-alvo. Ele reflete uma reavaliação do risco associado ao setor depois de um período de forte volatilidade, com efeitos diferentes conforme cada companhia.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha o setor, a revisão indica que a referência de valor para as companhias cobertas pelo banco ficou menor, com um custo de capital mais elevado. Isso não significa, por si só, uma direção para as cotações. Vale observar como o custo de capital evolui nas próximas leituras de mercado e como cada empresa responde ao novo cenário, já que o próprio relatório separa nomes preferidos de papéis rebaixados.


