Maioria dos analistas espera alta de juros no Reino Unido e hipotecas entram no radar
Antes dos ataques EUA-Israel ao Irã, o mercado previa queda de juros em 2026. Agora, com inflação de 3,5% e petróleo em alta, a expectativa mudou.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BBC BUSINESS · 2 MIN

O Banco da Inglaterra (BoE) pode quebrar uma sequência de seis reuniões sem mudança na taxa. Segundo a BBC Business, a taxa básica está em 3,75%, e a maioria dos analistas prevê alta para 4% na próxima reunião, em novembro. Seria a primeira elevação em mais de três anos.
O ciclo recente começou em agosto de 2023, quando a taxa chegou a 5,25%. Os cortes começaram em agosto de 2024, e cinco reduções levaram a taxa a 4%. Depois disso, o BoE manteve os juros em setembro e novembro de 2025, cortou em dezembro e segurou a taxa em janeiro, março, abril, junho, julho e setembro de 2026.
Antes dos ataques EUA-Israel ao Irã, em fevereiro de 2026, esperava-se queda dos juros ao longo do ano. Desde então, o petróleo subiu com interrupções no Estreito de Ormuz, recuou com cessar-fogos e voltou a subir em julho, com a retomada dos ataques entre EUA e Irã.
A inflação explica boa parte da mudança de tom. O índice de preços ao consumidor (CPI) chegou a 11,1% em outubro de 2022, depois da invasão russa à Ucrânia. Em 12 meses até setembro de 2026, subiu para 3,5%, ante 3,1% no mês anterior, contra uma meta de 2% do BoE. Segundo o ONS, a aceleração veio da alta da gasolina e do diesel. As contas de energia também subiram em julho e outubro, nos reajustes do teto de preço.
O efeito chega ao bolso de quem tem financiamento imobiliário. Pouco menos de um terço dos domicílios britânicos tem hipoteca, segundo o English Housing Survey. Cerca de 500 mil proprietários têm hipoteca atrelada à taxa do BoE, e cada alta de 0,25 ponto percentual adiciona cerca de £31 por mês a um empréstimo típico, de acordo com a BBC Business.
Muitos analistas veem uma nova alta na reunião de novembro e outra no início de 2027. O debate, portanto, deixou de ser quando os juros vão cair e passou a ser quantas altas ainda virão. Na leitura de quem defende responsabilidade fiscal, juros baixos e sustentáveis dependem de inflação controlada e de contas públicas em ordem.
O que muda para o investidor
Juros mais altos tendem a pesar sobre ativos de maior prazo e sobre empresas muito endividadas, porque encarecem o crédito e reduzem o valor presente dos ganhos futuros. Para quem acompanha juros, dólar e bolsas como a Nasdaq, os pontos de atenção são a decisão do BoE em novembro, o sinal que ela dará para 2027 e a evolução do petróleo, que segue ligado à inflação. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem projeção de preços.






