Idealizador do Plano Real propõe Selic a 7,5% em 12 meses e agita o mercado
André Lara Resende defende que o custo dos juros da dívida é o principal problema fiscal, e o ministro da Fazenda já afastou o tabelamento.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE GAZETA DO POVO · 3 MIN

Um dos idealizadores do Plano Real voltou ao centro do debate sobre juros com uma proposta que prevê levar a Selic dos atuais 13,75% para 7,5% em 12 meses. Segundo a Gazeta do Povo, a ideia de André Lara Resende, publicada em artigo em setembro, repercutiu a ponto de a manchete do veículo falar em mercado incendiado. O economista, nascido em 1951 no Rio, sugere que a queda venha acompanhada de um adicional inicial de 2 pontos percentuais, retirado gradualmente.
O núcleo do argumento é um diagnóstico fiscal diferente do usual. Para Lara Resende, segundo a Gazeta do Povo, o principal problema fiscal do país é o custo dos juros da dívida, e não os gastos primários. A dívida cresce mesmo com o resultado primário perto do equilíbrio, porque o custo dos juros supera o crescimento nominal da economia. Ele cursou a PUC-Rio (1973), fez pós-graduação na FGV (1975) e doutorado no MIT (1979). Filho de Otto Lara Resende, criou em 1984, com Pérsio Arida, o Plano Larida contra a inflação inercial.
Pelo que relata a Gazeta do Povo, para sair desse ciclo o texto propõe um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com metas fiscais e monetárias coordenadas em um prazo de 4 a 5 anos. Nesse desenho, o Banco Central operaria em uma faixa entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial da economia, de cerca de 5,5% ao ano. As reservas internacionais, em torno de US$ 360 bilhões, serviriam para amortecer o câmbio em uma eventual saída de capitais.
O texto recebeu apoio público de nomes ligados ao governo. Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, defenderam a ideia. Segundo a coluna de Lauro Jardim, no O Globo, publicada no domingo (1º), Lara Resende teria um encontro com Lula em Brasília ainda naquela semana. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afastou o tabelamento de juros e negou que exista reunião agendada. Na terça-feira (3), ele classificou a proposta como “ideia incipiente” com “várias deficiências”, de acordo com o Times Brasil, e afirmou que ainda não há o que avaliar.
Na prática, a proposta não tem tramitação formal. Segundo o Times Brasil, Durigan disse que não há “nada sobre a mesa” e que a equipe pode discutir o tema com Lara Resende e outros economistas. A pergunta que fica para o governo e para o mercado é como reduzir o peso dos juros sobre a dívida sem perder de vista a inflação e o câmbio.
O que muda para o investidor
Para quem investe e opera bolsa, juros e dólar, o momento pede cautela na leitura. Por ora, não há medida concreta sobre a Selic, e a ideia ainda depende de uma discussão que o próprio ministro chamou de incipiente. Se avançasse, em tese, uma queda de juros da magnitude proposta reduziria o retorno de aplicações atreladas à taxa básica e poderia deslocar recursos para ativos de maior risco. No câmbio, o efeito dependeria do fluxo de capitais, justamente o cenário em que as reservas citadas entrariam como amortecedor. São efeitos possíveis, não uma previsão de preços, e as próximas manifestações da equipe econômica devem indicar se a proposta sai do papel.






