Santoli: alta da inteligência artificial depende de recuperação das ações de tecnologia
Semicondutores e gastadores com infraestrutura de IA vendem forte, enquanto defensivas sobem e o S&P 500 segue travado no nível de maio.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC MARKETS · 3 MIN

O analista Santoli, da CNBC, afirma que a alta do mercado ligado à inteligência artificial quase certamente depende de as ações de tecnologia voltarem a subir. Segundo a CNBC Markets, ele havia dito uma semana antes que o tema estava perto de um momento decisivo. Desde então, o setor não reagiu nem à sobrevenda moderada nem aos balanços fortes dos hyperscalers, as grandes operadoras de nuvem.
O pano de fundo é de fraqueza. De acordo com a CNBC Markets, o Nasdaq-100 fechou a segunda-feira na média móvel de 200 dias, cerca de 11% abaixo da máxima histórica. O Philadelphia Semiconductor Index caiu 3,8% no mesmo dia e fechou abaixo da mínima de fim de julho, marcada na liquidação do fundo de hedge Situational Awareness. Semicondutores e empresas que gastam pesado na construção de infraestrutura de IA estão em venda forte.
O S&P 500 segue travado nos níveis de maio, mesmo após duas temporadas de balanços com lucro de cerca de 30% ao ano. Segundo a Morgan Stanley, as ações ligadas à IA respondem por cerca de 45% do peso do índice, e ainda estão abaixo das máximas. Santoli lembra que um período prolongado em que o índice de pesos iguais supera o de capitalização costuma sinalizar mercado baixista.
Quando a tecnologia perde espaço, o dinheiro procura abrigo em outros nomes. Walmart, Berkshire Hathaway e Eli Lilly são as únicas empresas fora das grandes de tecnologia com valor de mercado acima de US$ 1 trilhão, e juntas somaram cerca de US$ 550 bilhões em um mês. As três compensaram quase por completo a queda da Alphabet no período. Também ajudou o recuo do petróleo, que favoreceu as cíclicas de consumo, e o yield do Treasury de 10 anos caiu abaixo de 5%.
Para Jason Hunter, estrategista técnico do JPMorgan, a postura adequada ainda é defensiva até que os gráficos mostrem sinais de fundo ou apareça capitulação. Ele observa, segundo a CNBC Markets, que a sazonalidade baixista costuma ceder em meados de outubro, mas o mercado enfrentou uma das piores pressões vendedoras do fim do mês.
O que está em jogo é se a liderança da IA consegue voltar a puxar o índice ou se a bolsa americana seguirá sem um motor claro.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha o S&P 500 e o Nasdaq, o recado é que o peso da IA no índice torna a recuperação da tecnologia decisiva para o desempenho geral da bolsa. Se semicondutores e empresas de infraestrutura de IA continuarem sem reação, a alta tende a ficar restrita a uma parte do mercado, como mostram o desempenho de empresas de consumo e da Eli Lilly. A queda do yield de 10 anos abaixo de 5% é um ponto a observar para ativos de crescimento, mas os dados apresentados não permitem prever o desfecho. A orientação defensiva do JPMorgan, até que surjam sinais técnicos claros, é uma das leituras disponíveis para quem opera, sem representar recomendação de compra ou de venda.




