Trump reconhece derrota republicana, diz que Democratas controlarão Câmara e Senado e promete usar o veto
Em entrevista à Fox News na noite eleitoral, presidente diz estar surpreso com o resultado, culpa preços da gasolina e afirma que poderá trabalhar com a oposição em vários temas.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O presidente Donald Trump afirmou, em entrevista por telefone à Fox News na noite das eleições legislativas de 2026, que ficou "um pouco surpreso" com o resultado, que projeta os Democratas no controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Ele disse que esperava um desempenho melhor do Partido Republicano e que pretende usar o poder de veto para barrar projetos que considerar "insanos".
Segundo o apresentador Bret Baier, a Casa e o Senado foram projetados como democratas, embora a margem no Senado ainda não seja conhecida. Isso significa que Trump terá de governar os dois últimos anos de mandato diante de um Congresso de oposição.
Veto como instrumento de negociação
Trump disse que o veto é "um dos poderes mais fortes" de um presidente e que já foi usado em situações semelhantes. Na avaliação dele, os Democratas enviarão propostas que considera inaceitáveis, ele as vetará e, depois de alguns meses, a oposição tende a procurá-lo para negociar. O presidente disse já ter recebido ligações de dois senadores e três deputados democratas, e que outros três aguardavam para falar com ele.
Mesmo assim, ele delimitou o terreno: afirmou que dificilmente haveria acordo em imigração com fronteira aberta, em participação de homens em esportes femininos ou em procedimentos de transição de gênero em crianças. Disse, porém, que poderia trabalhar com os Democratas "em muitas coisas", e citou a imigração como área em que ainda vê espaço.
Explicações: gasolina, Irã e candidatos
Perguntado sobre as causas do resultado, Trump atribuiu parte à guerra com o Irã e, principalmente, ao preço da gasolina. Segundo ele, o eleitorado apoia sua ação contra Teerã, mas não estaria disposto a arcar com a consequência de curto prazo de pagar mais pelo combustível. Ele classificou o problema como de curto prazo e disse que o preço voltará a cair. Afirmou ainda que o Irã estaria a duas semanas de uma arma nuclear e que o bloqueio naval em curso fez crescer o volume de petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, citando reportagem do Wall Street Journal.
Trump também argumentou que não estava na cédula, o que reduziu a mobilização da base. Segundo ele, os comícios foram os maiores já vistos, mas parte do eleitorado não se animou com alguns candidatos, e alguns dos nomes que apoiou enfrentaram resistência. Citou ainda o Texas, onde fez ressalvas ao candidato Ken Paxton, e disse que a base republicana segue forte.
Ao comentar a economia, afirmou que o país está US$ 25 trilhões mais rico desde que voltou ao cargo e que dezenas de trilhões de dólares em investimentos estão a caminho. Os números são declarações do presidente e não foram checados na entrevista.
O que muda para o mercado
O apresentador não discutiu efeitos diretos sobre bolsa, juros ou dólar, e a transcrição não traz projeções de mercado. Para o investidor, o dado relevante é político: um Congresso dividido tende a limitar a aprovação de novas pautas, inclusive as de natureza fiscal e tributária, e deixa o veto como principal ferramenta do Executivo. A trajetória do preço da gasolina e o desfecho do confronto com o Irã, temas que o próprio presidente ligou ao resultado, seguem como variáveis a observar.
Perguntado sobre 2028, Trump disse ser cedo para citar nomes e que o partido tem "um banco de talentos" forte. Ao final, parabenizou os Democratas, que, segundo ele, "trabalharam muito" por uma vitória que buscavam havia anos.


