Vance busca interlocutor linha-dura no Irã para tentar reabrir negociações de paz, diz Fox Business
Carta enviada com aval de Trump mira conselheiro do aiatolá; analista ouvida pelo canal vê diplomacia de olho nas eleições legislativas, a cinco dias, e ceticismo sobre o regime.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE FOX BUSINESS · 3 MIN
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, procurou um dos principais integrantes da linha-dura iraniana na tentativa de reiniciar as negociações de paz com Teerã, segundo informou a Fox Business. A iniciativa teria sido feita por meio de uma carta, conforme reportagem do "Wall Street Journal" citada pela apresentadora Martha MacCallum.
O interlocutor é um representante do aiatolá no Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Segundo a apresentadora, um alto funcionário iraniano afirmou pouco antes, em declaração divulgada pela mídia estatal, que as condições do país foram claramente apresentadas aos mediadores.
O que disse Trump
O presidente Donald Trump comentou o episódio e deu uma versão restrita ao tema humanitário. Segundo ele, os iranianos precisam de ajuda com suprimentos médicos e outras necessidades. Trump disse que Vance lhe perguntou o que pensava e que respondeu que, se quisessem fazer isso, estava tudo bem. Em sua descrição, trata-se basicamente de levar suprimentos para ajudar pessoas doentes.
A convidada do programa, Nazee Moinian, pesquisadora associada do Middle East Institute, disse que o desdobramento pegou muitos observadores de surpresa. Na avaliação dela, Vance sempre foi o autor da diplomacia nesta administração, embora não se saiba quem iniciou o contato. Ela afirmou que, supostamente, Vance levou ao presidente a questão das condições médicas e dos suprimentos, e que Trump aprovou a carta ciente de seu conteúdo.
Cálculo político e risco de retomada do conflito
Para Moinian, o movimento reflete a visão de Vance de que a geração mais jovem não acredita em envolvimento em guerras externas e em "guerras eternas". Ela também apontou o calendário: as eleições legislativas de meio de mandato estão a cinco dias. Segundo a analista, esperar uma resolução em tão pouco tempo seria extraordinário, talvez impossível.
Martha MacCallum levantou a hipótese de que a carta seja um último passo antes de um retorno ao combate, já que, nas palavras dela, o regime teve muitas últimas chances. A apresentadora citou uma fonte próxima das discussões na administração, segundo a qual a liderança iraniana e a Guarda Revolucionária (IRGC) não têm medo de nada, a não ser do próprio povo.
Moinian concordou em parte, mas ponderou que o regime também dispõe de todas as ferramentas de repressão para reprimir e matar seus cidadãos. Ela afirmou que o governo iraniano está voltado à sobrevivência e que pode ceder e adiar seu perfil nuclear se for necessário. Em sua avaliação, porém, a intenção permanece a de exportar a revolução sem se deixar deter, a qualquer custo.
A disputa sobre o acordo nuclear
O programa exibiu trecho em que o ex-presidente Barack Obama diz ter impedido o Irã de obter uma arma nuclear por meio da diplomacia, sem disparar mísseis. MacCallum rebateu que aquele acordo colocou muito dinheiro nos bolsos da IRGC e que há muitas evidências de que o país continuou a enriquecer urânio em níveis próprios para armas.
Moinian afirmou que há muitas ressalvas ao que Obama diz. Segundo ela, o programa nuclear foi de fato contido em parte, mas, quando os inspetores voltaram, encontraram isótopos de urânio altamente enriquecido a 60% e quatro outras instalações nucleares que não haviam sido declaradas. Em sua avaliação, o Irã foi pego em flagrante quando o relatório veio a público.
A transcrição não traz números de mercado nem projeções econômicas. Para o investidor, o tema segue como fator de incerteza geopolítica no Oriente Médio, região sensível para o preço do petróleo e para o apetite por risco, mas qualquer efeito sobre bolsas, juros ou dólar depende de desdobramentos que o programa não detalhou.







