Dívida dos EUA passa de US$ 40 trilhões e pressiona juros de longo prazo, diz Bloomberg Television
Segundo a Bloomberg Television, déficits persistentes elevam o custo de hipotecas e financiamentos, e o debate fiscal segue fora da agenda de Washington.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
A dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões, e o tema praticamente desapareceu da agenda política de Washington, segundo reportagem da Bloomberg Television. No mercado de títulos, o volume de endividamento do governo é apontado como um dos principais suspeitos para a alta dos juros de longo prazo, que chegaram a níveis não vistos desde a crise financeira global.
O contraste com o passado é marcante. Em 1998, no governo de Bill Clinton, os EUA registraram o primeiro superávit orçamentário em quase três décadas. O governo ficou no azul por quatro anos seguidos, com pico de cerca de US$ 236 bilhões em 2000. Hoje, déficits persistentes significam mais empréstimos a cada ano, e já se passaram mais de duas décadas desde o último orçamento equilibrado.
O custo chega às famílias
Natasha Sarin, cofundadora do Yale Budget Lab, afirmou que a situação fiscal americana "não é boa e está se deteriorando". Segundo ela, a relação entre dívida e PIB deve subir para 130% na próxima década. Sarin observou que o número cai para US$ 33 trilhões se forem excluídas as transferências intragovernamentais.
Para a economista, os números se conectam ao custo de vida. Ela atribui parte do fato de os EUA flertarem com taxas de hipoteca acima de 7% à ligação entre o que as famílias pagam e a taxa à qual o governo consegue se financiar. Quanto maior a dívida, argumenta, mais arriscado é o tomador, sobretudo porque boa parte do passivo é de curto prazo e precisa ser rolada, possivelmente a juros maiores.
No trabalho do grupo, segundo Sarin, essa ligação entre os juros pagos pelo governo, o financiamento de carros e as hipotecas representa milhares de dólares em custo adicional para a família média.
Direito social e receitas no centro do debate
O ex-presidente da Câmara Paul Ryan disse que ainda não é tarde, mas que o país está "perdendo margem de manobra". Ele lembrou que, na década de 2010, os republicanos aprovaram quatro orçamentos na Câmara com planos para quitar a dívida, mexendo em Medicare e Medicaid. Na avaliação dele, a liderança do partido, com Donald Trump à frente, concluiu depois que a pauta não rendia votos e a abandonou. Ryan afirmou que o país caminha para uma crise da dívida.
Ryan defende reformar os programas de direitos sociais e acredita que o mercado de títulos daria crédito a um plano crível de redução da dívida. Sarin alertou que o fundo da Previdência Social se esgotará durante o mandato do próximo presidente, o que, sem mudanças, implicaria cortes lineares de 28% nos benefícios.
Sobre receitas, Ryan estimou que a arrecadação, hoje pouco acima de 17% do PIB, poderia chegar a cerca de 20% com reforma tributária, sem sacrificar o crescimento. Os gastos, porém, estão em 24% do PIB e subindo, e, na visão dele, o problema não se resolve sem atacar a despesa. Sarin, em estudo com Kim Clausing, propõe levantar US$ 15 trilhões, com alíquota de 28% ou 30% para os 2% de empresas mais lucrativas e combate à transferência de lucros, além de recuperar cerca de US$ 800 bilhões anuais em impostos devidos e não arrecadados.
Para o investidor, o recado da reportagem é que a trajetória fiscal americana segue como fator de pressão sobre os juros longos e, por tabela, sobre o crédito e o apetite por risco. Sarin avalia que intervenções recentes, como a atuação no iene e a recompra de títulos longos, não são significativas diante da escala do problema, e que a alta dos rendimentos tende a forçar a discussão fiscal.







