Eleição em Israel deixa Netanyahu sem maioria e abre caminho para negociações longas ou nova votação
Nem o premiê nem a oposição têm saída clara para formar governo, segundo o chefe da sucursal da Bloomberg em Israel, Ethan Bronner
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
Terminada a contagem de votos em Israel, nem o partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o principal bloco de oposição conquistou cadeiras suficientes para uma maioria no Parlamento. A apuração final deve sair no início da próxima semana, e o impasse pode levar a negociações difíceis de coalizão ou a uma nova eleição, informou a Bloomberg Television.
Segundo Ethan Bronner, chefe da sucursal da Bloomberg em Israel, os partidos agora vão ao presidente Isaac Herzog indicar quem tem a melhor chance de formar governo, e caberá a ele decidir. O processo, afirmou a emissora, pode se arrastar por meses. Para chegar à maioria, é preciso reunir 61 das 120 cadeiras.
Promessas quebradas e poucas opções
Na avaliação de Bronner, quem formar o governo terá de romper uma promessa feita aos eleitores. Se a oposição se aliar a Netanyahu, num governo de unidade nacional, violará o compromisso de nunca servir ao lado dele. Se recorrer a partidos árabes, contrariará líderes opositores que descartaram esse arranjo. Netanyahu, por sua vez, deve tentar atrair integrantes da oposição, num caminho que Bronner descreveu como difícil para todos os lados.
A eleição foi o primeiro teste das urnas desde 7 de outubro de 2023. Para o analista, Netanyahu perdeu apoio em relação ao pleito de 2022, mas sobreviveu politicamente, o que indica que parte dos israelenses, não necessariamente a maioria, vê a segurança como tema central e o considera o mais capaz de garanti-la. Bronner lembrou que ele tem 77 anos, enfrenta processos judiciais e tem problemas de saúde cuja gravidade é desconhecida.
Se ninguém conseguir formar governo, Netanyahu seguiria como premiê interino, e uma nova votação poderia ocorrer por volta de abril. Bronner avalia que ele poderia chegar mais forte a esse pleito, já que a mobilização de israelitas no exterior e do eleitorado árabe, que tradicionalmente não vota em peso, pode se repetir com menos intensidade.
Voto árabe e risco de nova ação contra o Irã
Os partidos árabes obtiveram 19 cadeiras, segundo o analista. Cerca de 20% da população israelense é não judaica, e a participação cresceu após a guerra em Gaza e diante da insatisfação com a criminalidade nessas comunidades. A maior parte dos votos foi para legendas antissionistas. O peso político desse desempenho, disse Bronner, ainda está por ser definido.
O tema com maior potencial para o mercado é o Irã. Para Bronner, a probabilidade de uma nova operação militar conjunta de Israel e Estados Unidos é razoavelmente alta, provavelmente depois das eleições legislativas americanas, com cerca de 10% de chance de ocorrer antes. Ele sugeriu que um ataque iraniano em resposta poderia levar os líderes da oposição, Gadi Eisenkot e Naftali Bennett, a entrar num governo de emergência com Netanyahu, embora tenha ressaltado que se trata de uma hipótese sua.
Bronner avalia ainda que o poder de Netanyahu para conduzir o país à guerra permaneceria praticamente intacto, enquanto as pautas domésticas, centro da disputa contra ele, tendem a ser freadas. Já Irã, Gaza, Líbano e Síria devem avançar conforme o plano do premiê.
Para o investidor, o quadro é de incerteza política prolongada em um país central para a geopolítica do Oriente Médio, com risco de escalada militar que costuma influenciar petróleo, juros e apetite por risco nas bolsas. A transcrição não traz projeções de mercado, e o desfecho dependerá das negociações de coalizão e da decisão do presidente Herzog.







