Alphabet cai com lucro abaixo do esperado e Fed mantém juros, mas Microsoft e Oracle sustentam o tema da IA
Balanço fraco do Google pesa sobre a Nasdaq, enquanto nuvem da Microsoft e meta de caixa da Oracle dividem o mercado às vésperas do resultado da Samsung
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 4 MIN
As ações da Alphabet despencaram nas negociações após o fechamento em Nova York, depois de um balanço do terceiro trimestre que ficou abaixo do esperado em receita e lucro, e reacenderam o debate sobre o retorno dos bilhões gastos em inteligência artificial. Segundo a Bloomberg Television, os contratos futuros da Nasdaq recuavam cerca de 0,8% na manhã desta quinta-feira na Ásia, e os futuros dos Estados Unidos caíam 0,4%.
A receita da Alphabet somou US$ 127,6 bilhões, pouco abaixo da estimativa de US$ 127,9 bilhões. O choque maior veio do lucro por ação, de US$ 2,12, queda de 30%, atribuída a uma perda contábil não realizada com a participação da empresa na SpaceX. Segundo a repórter ouvida pela emissora, trata-se de perda de papel, sem saída de caixa, mas as preocupações estruturais permanecem.
A receita de buscas cresceu 12%, para US$ 63,3 bilhões, o que desacelera em relação ao trimestre anterior. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 29,1 bilhões pelo segundo trimestre seguido, conforme a transmissão. Na avaliação do analista Mandeep Singh, a divisão de nuvem foi o contraponto: cresceu mais de 100% no trimestre, e a empresa ainda carece de um produto de agentes de IA que atravesse seus aplicativos.
Microsoft e Oracle ganham fôlego
A Microsoft subiu com resultados acima do consenso. A receita foi de US$ 92,3 bilhões, contra estimativa de US$ 90,6 bilhões, e o lucro por ação, de US$ 4,93. O crescimento da nuvem Azure superou as projeções do mercado, e o investimento em capital (capex) de US$ 39,4 bilhões ficou abaixo dos US$ 45,9 bilhões esperados. A administração, porém, disse que isso não representa recuo e projetou cerca de US$ 50 bilhões para o trimestre seguinte. Segundo a Bloomberg, a empresa ainda enfrenta dificuldade para colocar centros de dados no ar a tempo de atender à demanda.
A Oracle, que não divulgou balanço, teve alta superior a 13%, seu melhor dia desde maio, depois de apresentar meta de receita de US$ 225 bilhões e comprometer-se com fluxo de caixa livre positivo no segundo semestre do ano fiscal de 2028, com meta de US$ 30 bilhões no ano fiscal de 2029. Para a emissora, a disciplina fiscal vem sendo premiada nesta temporada de resultados.
Fed mantém juros e juros longos sobem
O Federal Reserve manteve a taxa de juros, como esperado, em votação com duas divergências. O presidente do banco central, Kevin Warsh, também anunciou que o comitê terá menos reuniões de definição de juros a partir do próximo ano, e que uma delas, em 2027, será dedicada apenas à estratégia monetária, sem votação sobre a taxa nem comunicado.
Segundo o editor executivo Paul Dobson, da Bloomberg, a decisão não foi vista como suficientemente dura em relação ao que o mercado precificava: os juros curtos recuaram e a curva se inclinou, enquanto os juros longos subiram por dúvidas sobre o compromisso do Fed com o combate à inflação. O mercado ainda espera uma alta em dezembro, mas a trajetória em 2027 ficou menos clara. Dobson relacionou os juros mais altos ao custo maior de financiar a expansão da IA.
O financiamento do setor já é recorde: as emissões globais de títulos de dívida somam US$ 6,6 trilhões no ano, segundo a transmissão. A economista Sebnem Kalemli-Ozcan, da Brown University, avaliou que a inflação persistente indica novas altas de juros e apontou o boom da IA como a grande incógnita para os preços a partir de 2027.
Samsung é o próximo teste
Os mercados asiáticos aguardavam o balanço da Samsung, que tem a tarefa de manter o entusiasmo após os resultados fortes da SK Hynix. Para Jung In Yun, da Fibonacci Asset Management Global, os lucros dos fabricantes de chips podem seguir fortes até 2030, mas custo de capital mais alto pode pressionar as avaliações. O gestor Vikas Pershad, da M&G Investments, disse estar mais próximo da neutralidade em memória e questionou o retorno dos investimentos em centros de dados.


