Câmara dos EUA aprova horário de verão permanente, mas projeto emperra no Senado
Com o fim do horário de verão neste fim de semana, a disputa em Washington reacende: a Câmara votou 308 a 117 pelo Sunshine Protection Act, que agora aguarda o Senado.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
O debate sobre o horário de verão voltou ao centro da política americana. Neste fim de semana, o horário de verão termina nos Estados Unidos e os relógios voltam uma hora, enquanto o Congresso segue sem definir se a troca semestral vai acabar, segundo reportagem da Bloomberg Television.
Em julho, a Câmara dos Representantes aprovou por 308 votos a 117 o avanço do Sunshine Protection Act, projeto atualizado apresentado pelo deputado republicano da Flórida Vern Buchanan para tornar o horário de verão permanente. A medida encerraria o ritual de adiantar o relógio em uma hora em março e atrasá-lo em uma hora em novembro. O texto, no entanto, está parado no Senado, que até agora não tomou nenhuma ação sobre a proposta, de acordo com a reportagem.
Argumentos a favor e contra
Os defensores do horário de verão permanente afirmam que a mudança traria manhãs mais escuras, mas uma hora extra de luz ao entardecer. Segundo eles, isso estimularia mais tempo ao ar livre, reduziria a criminalidade, diminuiria os acidentes de trânsito e cortaria o consumo de energia. Buchanan classificou a prática atual como ultrapassada e frustrante para famílias, trabalhadores, escolas e pequenos negócios em todo o país.
Há, porém, uma corrente que defende outra saída: adotar o horário padrão o ano inteiro, como fazem o Havaí, territórios americanos e a maior parte do Arizona. Essa opção antecipa o pôr do sol e traz uma hora a mais de luz pela manhã. Seus defensores argumentam que crianças rendem mais na escola e trabalhadores ficam mais atentos.
Um parlamentar contrário ao projeto citou, no plenário, a experiência dos anos 1970 e afirmou que crianças morreram ao ir para a escola no escuro durante a tentativa de horário de verão permanente. Ele pediu que os colegas votassem contra a proposta.
Um debate de mais de um século
A discussão não é nova. Em março de 1918, o Congresso adotou o horário de verão para conservar energia durante a Primeira Guerra Mundial, mas os agricultores desaprovaram, porque as mudanças atrapalhavam seus calendários de trabalho. Em abril de 1966, o Uniform Time Act padronizou o início e o fim do horário de verão para a maior parte do país. Em 14 de dezembro de 1973, o presidente Richard Nixon sancionou lei que eliminou as trocas de horário por dois anos, como solução para poupar energia durante o embargo do petróleo.
Hoje, 19 estados têm leis em apoio ao horário de verão o ano inteiro, mas a palavra final cabe ao Congresso. O presidente Donald Trump pediu, na rede Truth Social, que os senadores aprovem o Sunshine Protection Act, porque, nas palavras dele, "a maioria das pessoas está exigindo luz à noite".
Para o investidor, o tema tem relevância indireta: a transcrição não traz estimativas de impacto sobre bolsa, juros, dólar ou contas públicas. O que o episódio mostra é a dificuldade de Washington em resolver, mesmo com folgada maioria na Câmara, uma questão de consenso aparente. Até que o Senado se mexa, os americanos seguirão ajustando os relógios duas vezes por ano.







