Binance sofre ataque hacker de US$ 6,3 bilhões, o maior já registrado no setor de criptomoedas
Maior corretora de criptoativos do mundo congela US$ 3 bilhões, suspende saques e promete cobrir perdas; bitcoin chega a cair mais de 3% e opera perto de US$ 77,8 mil
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu o que a Bloomberg Television descreve como o maior ataque hacker já registrado na indústria de ativos digitais. A empresa informou que US$ 6,3 bilhões em fundos foram afetados, dos quais US$ 3 bilhões estão congelados.
O mercado reagiu. Segundo a emissora, o bitcoin chegou a recuar mais de 3% após a notícia e, no momento da reportagem, caía 1,2%, a cerca de US$ 77.800, tendo recuperado parte das perdas. A apresentadora classificou o episódio como um evento de "cisne negro" durante a noite.
O que se sabe sobre o ataque
Segundo Emily Nicolle, repórter de finanças digitais da Bloomberg, a Binance relatou um ataque direcionado ao laptop de um funcionário, que permitiu ao invasor acessar partes da arquitetura interna da corretora e desviar um grande volume de recursos. O valor confirmado é de cerca de US$ 6 bilhões em criptoativos.
Desse total, cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados pelos emissores das respectivas criptomoedas, o que impede os atacantes de usá-los por ora. O restante segue em poder dos criminosos. A Binance afirma ter acionado as autoridades e trabalhar com as equipes e empresas que puder para tentar recuperar os recursos.
Pela manchete mais recente citada na transmissão, a Binance diz que o cronograma para a retomada dos saques segue no rumo previsto e que recuperará todas as perdas com o fundo SAFU e com recursos da própria empresa.
Capacidade de absorver o golpe
Nicolle observou que não há número atualizado para o tamanho do fundo SAFU, que há alguns anos era estimado em cerca de US$ 1 bilhão. O restante da cobertura sairia do caixa da companhia. Como a Binance é uma empresa privada e reservada, não há um retrato preciso de suas finanças, mas ela é, em geral, considerada muito bem capitalizada, segundo a repórter.
A principal preocupação dos investidores, na avaliação de Nicolle, é a suspensão dos saques. Ela lembrou o colapso da FTX, há dois anos, quando os saques também foram interrompidos. Mesmo que a empresa tenha o dinheiro, disse, o impacto depende de quanto os clientes correrão para retirar seus recursos e da liquidez disponível nos bastidores. Só a reabertura dos saques mostrará o efeito real.
Suspeita recai sobre a Coreia do Norte
O apresentador levantou o possível componente geopolítico: se o ataque for de origem norte-coreana, os recursos seriam uma fonte clara de financiamento para o país e para o seu setor militar. Segundo Nicolle, várias empresas de análise apontam a Coreia do Norte como origem, com base em padrões de lavagem do dinheiro e em táticas que costumam deixar rastros. O maior grupo de hackers ligado ao país é o Lazarus, e a abordagem seria típica dele.
A repórter ponderou que o processo de marcar na blockchain ativos roubados pela Coreia do Norte está consolidado, o que torna cada vez mais difícil reprocessar e lavar esses recursos. Ainda assim, trata-se de uma operação de hackers patrocinada por um Estado sancionado, que tentará usar todas as táticas disponíveis para levar o dinheiro às suas operações.







