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EDIÇÃO Nº 002 · BRASILQUINTA-FEIRA, 29 DE OUTUBRO DE 2026 · 10:21
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VÍDEOS28 OUT 2026 · 18:14

Alphabet decepciona com busca abaixo do previsto, enquanto a nuvem acelera e muda o centro de gravidade da empresa

Receita de busca cresceu 12%, contra 15% esperados, e reacende o debate sobre o impacto da IA, mesmo com forte desempenho do Google Cloud

POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN

As ações da Alphabet sofreram reação negativa após o balanço trimestral, que mostrou receita e lucro abaixo das estimativas e uma fraqueza concentrada no negócio de busca. Segundo Scott Devitt, diretor-gerente e analista sênior da Rosenblatt Securities, em entrevista à Bloomberg Television, o resultado é "um trimestre difícil para a narrativa da Alphabet".

A receita de busca avançou 12%, ante expectativa de 15% do mercado, o que representa um desvio de cerca de 300 pontos-base, de acordo com o analista. As margens nesse segmento também ficaram abaixo do esperado. Devitt observou que a empresa não oferece projeção explícita para esse número e que enfrentou uma base de comparação exigente, já que o ano anterior teve crescimento acelerado.

A nuvem compensa parte do desgaste

O contraponto veio do Google Cloud. Conforme o analista, a receita da divisão subiu 103%, bem acima das expectativas, e as margens também superaram as projeções. Ele descreveu um negócio que ainda cresce 25%, com margem na casa dos 30% e que, somado às demais operações, negocia abaixo de 20 vezes os lucros.

Devitt também chamou atenção para um dado da teleconferência: o presidente da divisão de nuvem participou da chamada de resultados pela primeira vez. Para o analista, o sinal é claro: o centro de gravidade da companhia se desloca gradualmente para a nuvem, enquanto a busca, que foi o modelo de negócios mais dominante do mundo até a chegada da inteligência artificial, perde protagonismo relativo.

O fantasma da IA sobre a busca

Para quem enxerga uma ameaça de longo prazo da IA, o resultado alimenta a tese pessimista, avaliou Devitt, e é isso que pesa sobre as ações. Segundo ele, a Alphabet já incorpora recursos como os resumos de IA, e o Gemini teve boas atualizações de modelo recentemente. O desafio é que a empresa deixou de ser a única opção para a busca de informações e passou a ser uma entre poucas, uma normalização que, em sua análise, pode comprimir o múltiplo da companhia.

A comparação com concorrentes ficou evidente. A Meta cresceu 26% em publicidade no trimestre, mais que o dobro do ritmo da busca da Alphabet, e o analista previu que o crescimento publicitário da Amazon, a ser divulgado no dia seguinte, também será bem superior. Devitt atribuiu isso ao direcionamento de consultas para outros canais de distribuição, incluindo as próprias empresas de modelos de IA.

Uma questão estrutural?

Devitt não vê o problema como estrutural. Em sua avaliação, o crescimento deve se estabilizar nesses patamares, à medida que a base de comparação se normaliza. Ele lembrou que a própria empresa informou que o volume de consultas teve o crescimento mais rápido dos últimos cinco anos no trimestre, e disse esperar que a companhia explique a diferença entre esse avanço e o da receita.

Sobre uma eventual atuação em comércio baseado em agentes de IA, o analista disse ver a estratégia mais como a substituição dos tradicionais links azuis por uma interface mais interativa do Gemini do que uma liderança nesse segmento. Para ele, o tamanho do volume de consultas faz da Alphabet um participante "muito satisfatório", ainda que não o melhor, o que sustentaria a tese de longo prazo.

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