Temor com gastos em IA derruba as big techs, e Nasdaq 100 entra em correção pela terceira vez em 2026
S&P 500 recua 1,8%, maior queda desde junho, após balanços fracos de Amazon, Alphabet e Intel; investidores questionam o retorno de trilhões investidos em inteligência artificial.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG TELEVISION · 3 MIN
Wall Street registrou mais um dia de forte queda, impulsionada pela preocupação com os bilhões investidos em inteligência artificial. Segundo a Bloomberg Television, o Nasdaq 100 entrou em correção pela terceira vez em 2026, enquanto o S&P 500 caiu 1,8% e perdeu a média móvel de 100 dias. Foi a maior queda do índice desde junho.
O gatilho foram os balanços decepcionantes de gigantes da tecnologia, entre elas Amazon, Alphabet e Intel. Os investidores questionam o retorno potencial dos trilhões de dólares que vêm sendo injetados em IA, e há também inquietação sobre a saúde da economia.
Uma ansiedade que não é nova
Mike Shepard, editor sênior da Bloomberg para tecnologia e indústrias estratégicas, avaliou que o movimento atual parece diferente de episódios anteriores do ano. Segundo ele, a perda de confiança na chamada operação de IA já aparecia no início do mês, com a apreensão em torno das "neo clouds", empresas que alugam poder de computação a grandes desenvolvedores de IA, como CoreWeave. Os investidores passaram a olhar não só para o capital próprio dessas companhias, mas também para a dívida que assumem.
A dúvida seguinte recaiu sobre os grandes provedores de nuvem, como Meta, Google e Amazon. Na avaliação de Shepard, eles seguem avançando com os planos de investimento em IA, mas os negócios tradicionais, como comércio eletrônico e publicidade no caso de Amazon e Alphabet, mostram mais fraqueza do que o mercado está disposto a aceitar.
Alphabet e Intel sob pressão
No caso da Alphabet, controladora do Google, as vendas e a receita de publicidade ficaram abaixo do esperado. Shepard destacou a divisão de nuvem, comandada por Thomas Curian, como a forma de a empresa demonstrar que a IA pode se traduzir em resultados. Mas ele apontou um dilema: o modo de IA integrado à busca dificulta a exibição de anúncios e reduz o tempo gasto em publicidade, o que levanta a questão de como monetizar essas buscas geradas por IA.
Já a Intel teve, segundo a apresentação, o pior dia desde 1974, com queda superior a 25%. Shepard ligou o resultado à escassez de chips de memória, componentes de que a IA precisa para treinar modelos e executar inferências. Fabricantes como Intel e Apple passam a competir por esse insumo com desenvolvedores e produtores de chips de IA, o que dificulta atender à demanda e manter preços aceitáveis para o consumidor. A empresa vive uma reestruturação sob o novo presidente-executivo, Lip Bu Tan, que se disse mais do que um pouco decepcionado com os números e apontou a memória como ponto fraco.
Ataque a corretora de criptomoedas
No mercado de ativos digitais, a Bloomberg Television noticiou o maior roubo de criptomoedas já registrado: US$ 6,3 bilhões da exchange Binance. O valor supera com folga o recorde anterior, de US$ 1,5 bilhão, da plataforma 5 bit, em 2025. O FBI e o Serviço Secreto dos EUA investigam o caso, e hackers norte-coreanos são apontados como possíveis responsáveis, já que foram ligados a ataques anteriores.
A Binance afirmou que fará o possível para ressarcir os clientes e mantém um fundo de reserva para situações como essa. A empresa tem mais de US$ 137 bilhões em ativos. O bitcoin operava em alta de cerca de 0,5%, perto de US$ 77 mil. Segundo Shepard, ainda é preciso ver como o episódio afetará a confiança no setor e o cenário regulatório.







