Quarto mandato de Lula põe à prova o equilíbrio entre investimento e contas públicas
Crusoé vê ajuste fiscal politicamente difícil, e Rui Costa fala em elevar a taxa de investimento do PIB de 17% para 20% ou 21%.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CRUSOÉ · 2 MIN

Segundo a Crusoé, Lula conquistou o quarto mandato na eleição do domingo, dia 25. A vitória coloca no centro do debate econômico uma pergunta que interessa diretamente a quem investe: como o governo vai cumprir as promessas feitas na campanha sem perder o controle das contas públicas?
Para o autor de um artigo de opinião publicado pela Crusoé, o ajuste fiscal deve ser politicamente difícil. A avaliação é que, depois das promessas e da gastança da campanha, qualquer aperto nas contas enfrentará resistência política.
Rui Costa, senador eleito pelo PT da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, falou nesta quinta-feira (29) à Rádio Bandeirantes e detalhou o que o governo pretende no próximo ciclo. Segundo ele, Lula buscará elevar a taxa de investimento do PIB de 17% para 20% ou 21% no quarto mandato.
No mesmo raciocínio, Costa citou a melhora da logística como caminho para reduzir os custos de produção da indústria e da agropecuária. O material apurado não traz valores nem prazos para essas metas.
O desafio está na combinação das duas frentes. Investimento em alta exige recursos e previsibilidade, e a própria avaliação da Crusoé aponta que o ajuste fiscal tende a ser mais difícil depois da campanha. Para quem defende responsabilidade fiscal, livre mercado e menos impostos, a pergunta central é se a expansão do investimento virá acompanhada de disciplina nas despesas.
Até aqui, o que se conhece são intenções. Ainda não há detalhes sobre como as metas de investimento seriam financiadas, e o caminho até 20% ou 21% do PIB depende de decisões que não foram detalhadas nas declarações apuradas.
O que muda para o investidor
Para o investidor, o ponto de atenção é a trajetória das contas públicas. Quando o ajuste fiscal avança mais devagar, o mercado tende a exigir prêmio maior para carregar risco, e esse movimento pode aparecer nos juros, no câmbio e nas ações de empresas mais expostas ao ciclo doméstico. Por outro lado, se a melhora logística e o aumento do investimento se concretizarem, setores ligados a infraestrutura, indústria e agronegócio podem ser beneficiados no médio prazo. Nada disso é previsão de preço: o que está em jogo é a credibilidade das metas fiscais, que deve orientar a leitura de quem acompanha Bolsa, juros e dólar nos próximos meses.


