Juro alto segura a retomada de private equity e venture capital após a eleição
Gestores têm dificuldade para vender participações e devolver capital, e a melhora deve ser lenta e seletiva, segundo executivos ouvidos pela Bloomberg Línea.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BLOOMBERG LÍNEA · 2 MIN

A reeleição de Lula no domingo (25) retirou parte da incerteza que pesava sobre gestores de venture capital e private equity, mas o setor ainda não sente alívio suficiente para voltar a girar. Segundo a Bloomberg Línea, a melhora deve chegar aos poucos e de forma seletiva.
O gargalo está na saída. Gestores enfrentam dificuldade para vender participações e devolver capital aos investidores, e sem esse retorno a captação de novos fundos fica travada. Em um mercado que depende de ciclos de entrada e de saída, a engrenagem para justamente onde deveria girar.
A reportagem aponta três condicionantes para a retomada: juros, política fiscal e câmbio. Entre eles, o custo do dinheiro é o que mais pesa para quem precisa financiar a compra de empresas, porque crédito caro reduz o que um comprador consegue pagar.
Rodolfo Marzochi Campitelli, conhecido como Rods e managing director Brasil da Pipeline Capital, avalia que a eleição não resolve o custo de capital, principal barreira para destravar operações de fusões e aquisições. A Pipeline Capital é uma assessoria independente de M&A com foco em mid-market.
Na nossa leitura, alinhada à defesa da responsabilidade fiscal, a previsibilidade das contas públicas é o caminho mais direto para reduzir o custo de capital. Sem essa sinalização, a discussão sobre o setor tende a ficar presa à disputa por juros e câmbio, e a retomada segue dependendo de fatores que vão além da urna.
O que muda para o investidor
Para quem investe em bolsa, em Nasdaq, em juros ou em dólar, a eleição encerrou uma dúvida, mas não encerrou o custo alto do dinheiro que trava o setor. Companhias que dependem de vender participações ou de captar fundos podem seguir pressionadas enquanto esse custo permanecer elevado, e a recuperação tende a ser desigual, favorecendo casos específicos em vez de um movimento amplo. A reportagem não traz projeções de preços, e esta matéria também não indica direção para ativos. O que vale acompanhar são juros, política fiscal e câmbio, variáveis que devem mostrar quando o ciclo de saídas volta a andar.


