Morgan Stanley vê só dois setores da Bolsa com retorno acima do custo de capital e aposta em exportadoras
Segundo InfoMoney, menos de 30% das empresas cobertas devem ter ROE acima do custo de capital em 2027, que chega a 20,1% em moeda local.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE INFOMONEY · 3 MIN

Apenas dois setores da Bolsa brasileira devem entregar retorno sobre o patrimônio acima do custo de capital em 2027, segundo relatório do Morgan Stanley divulgado numa sexta-feira e reportado pelo InfoMoney. São eles o financeiro e o de petróleo e gás. Para o banco, o quadro é desfavorável para a maior parte do mercado, e a aposta recai sobre as exportadoras.
O diagnóstico compara o ROE, que mede o retorno que a empresa obtém sobre o capital dos acionistas, com o custo de capital exigido pelo investidor. De acordo com o InfoMoney, menos de 30% das empresas cobertas pelo relatório devem ter ROE superior a esse custo em 2027. O ROE mediano projetado para as companhias brasileiras no mesmo ano é de 17,3%, abaixo do custo de capital.
O custo de capital em moeda local aparece em 20,1%, nível próximo dos momentos mais estressados de 2025. A reportagem atribui essa alta à reeleição de Lula e à continuidade das políticas econômicas. Os estrategistas do Morgan Stanley responsáveis pela análise são Nikolaj Lippmann, Julia Nogueira e Marcos Rios.
O que está em jogo é a capacidade de as empresas gerarem valor para o acionista num ambiente em que o dinheiro custa caro. Quando o retorno projetado fica abaixo da taxa exigida pelo mercado, o investimento deixa de remunerar o capital na medida esperada, e os investidores tendem a ser mais seletivos.
A preferência por exportadoras é o contraponto a essa leitura mais restritiva sobre o restante da Bolsa. A reportagem não detalha todos os critérios usados pelo banco para essa escolha, então o leitor deve tratar a tese como a visão de uma casa de análise, e não como um consenso do mercado.
O que muda para o investidor
Se o diagnóstico se confirmar, a concentração de retorno em poucos setores tende a ganhar peso na seleção de ações, com maior atenção a empresas capazes de superar um custo de capital elevado. Para quem investe em Bolsa, vale acompanhar como essa taxa exigida se comporta, porque ela influencia quanto o mercado está disposto a pagar pelos lucros futuros das companhias. Esta matéria não traz recomendação de compra ou venda nem projeção de preços.







