Estatais federais somam déficit de R$ 8,5 bi em nove meses, o pior desde 2002
Rombo acumulado até setembro já supera o déficit anual de 2024, segundo dados do Banco Central divulgados em 29 de outubro.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE REVISTA OESTE · 2 MIN

As estatais federais fecharam os nove primeiros meses de 2026 com déficit acumulado de R$ 8,5 bilhões, segundo dados do Banco Central divulgados em 29 de outubro. De acordo com a Revista Oeste, é o pior resultado para o período desde o início da série, em 2002. O número parcial já ultrapassa o déficit anual de 2024, de R$ 6,73 bilhões, o maior já fechado na série.
O recorde anterior para o mesmo intervalo, de janeiro a setembro, pertencia a 2025, com R$ 6,3 bilhões. A diferença entre os dois anos chega a cerca de R$ 2,2 bilhões, o que mostra a piora em um intervalo curto de tempo.
O resultado de setembro também foi negativo. Segundo o Money Times, o déficit mensal das estatais federais foi de R$ 2,014 bilhões, o maior para o mês em toda a série histórica. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, confirmou o recorde na coletiva de 29 de outubro.
Ao ser questionado, Rocha disse que não é possível detalhar a causa do resultado. Ele afirmou que gastos acima das receitas podem indicar mais investimentos ou despesas em alta, mas não entrou em mais detalhes.
Os Correios aparecem como o caso mais visível do quadro. A estatal acumula 15 trimestres seguidos com resultado negativo e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo a Revista Oeste.
Como o resultado das estatais compõe as contas do setor público, a persistência do rombo interessa a quem acompanha a trajetória fiscal do país, tema que pesa sobre juros e câmbio.
O que muda para o investidor
O dado não traz previsão de preço, mas reforça um ponto de atenção para quem opera bolsa, juros e dólar. A trajetória fiscal costuma entrar no radar de investidores na hora de avaliar taxas e câmbio. Se o déficit das estatais continuar crescendo e a causa não for explicada com clareza, a percepção de risco fiscal pode aumentar, com possíveis reflexos sobre os juros e a cotação do dólar. Os próximos resultados mensais e eventuais detalhes sobre as causas do rombo são os dados a acompanhar.


